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B032 – Capítulo 19 – Revelações Surpreendentes, Segunda parte (Estudo 19 de 20)

       

Centro Virtual de Divulgação e Estudo do Espiritismo – CVDEE
Sala de Estudos Manoel Philomeno
Livro em estudo: Grilhões Partidos – Editora LEAL - 1974
Autor: Espírito Manoel Philomeno de Miranda, psicografia de Divaldo Pereira Franco
B032 – Capítulo 19 – Revelações Surpreendentes, Segunda parte

Capítulo 19
Revelações Surpreendentes

Matias chorava copiosas lágrimas, vertidas em lava do íntimo excruciado. Estávamos comovidos. Toda dor inspira compreensão fraternal, piedade. As dilacerações selvagens, apesar da rudeza, produzem compreensíveis amarguras.
O doutrinador e a equipe de encarnados escutavam-no com simpatia, envolvendo-o em eflúvios de cordial e sincera compaixão que o reconfortavam.
Amparado, em clima de real estima, “o baiano” prosseguiu, narrando:
— O tempo era sempre sem fim. Quando despertei, lentamente, sem saber-me onde estava, as vagas recordações fizeram-me refletir...
O que eu sofria no corpo e na alma não tenho como dizer...
“Na balbúrdia em volta, dei-me conta de que uma chusma de desordeiros da mais baixa classe zombava de mim com doestos e gargalhadas ensurdecedoras.
“A duras penas, por eles descobri que morrera... Aquilo que eu sofria e ainda sofro era a morte... Que horror tomou conta de mim!
“Não foi fácil acostumar-me com a idéia... Encontrava-me como quem irá morrer e já fora vítima da morte... Você entende?”
— Claro, meu amigo — redargüiu, compreensivo, o Coronel Sobreira. — Quando vivemos para o corpo, temos muita dificuldade em deixá-lo. Nossos hábitos são nossa vida. .. Continua, porém, deixando que até à última gota se derrame o veneno que te vence, a fim de conheceres a madrugada que já te está raiando, em nome do dia novo de repouso e alegria.
— Na minha mente, — voltou a expor — procurava encontrar a ordem das coisas... Embora sofrendo a impiedade daqueles infelizes piores do que eu, porque eles não eram tementes a Deus, blasfemavam, enquanto eu estertorava, fui-me ajustando à idéia e compreendendo porque mamãe não me vira... E a fome, a sede que eu sofria? A morte não acaba com tudo?
“Com o tempo, — quanto tempo? — inteirei-me, naquela triste convivência, do que era morrer... e que ali estávamos no purgatório, a caminho do Inferno. Quem tivesse dívidas, que logo as cobrasse, até o momento em que viriam os Encapuçados selecionar os que podiam ficar e os que deviam partir para as mãos de Satanás.
“Muito vagarosamente consegui ordenar as lembranças... Nessa ocasião foi que me recordei do capitão... Teria morrido? Se minha família enfrentava tal penúria, certamente ele morrera, sem poder fazer nada... Meu pensamento se cravou nele... Onde andaria?. como saber?... Atormentado, por essa dúvida, se ele estava morto ou vivo, o ódio me ia dominando. Se estivesse vivo ele me havia traído…
Houve uma pausa. A narrativa chegava ao seu ponto culminante.
Matias prosseguiu. A voz se alterara, a respiração voltara à dificuldade. O Mentor acolitava-o, socorrista.
— Num momento de ódio vigoroso, senti-me desvairar... Aos gritos e imprecações, desejando encontrá-lo, senti o mesmo ímã desconhecido arrastar-me e encontrei-me na sala rica onde ele, mais velho, forte, feliz, sorridente, exibia a filha.
“Agredi-o diversas vezes, sem que ele o percebesse... Havia, ali, outros mortos como eu e piores do que eu, misturados aos convidados…
“Quando a filha começou a tocar... Da idade de Josefa e tão diferente!… Aproximei-me e senti que ela me sentiu... Segurei-a e ela tremeu... Agarrei-lhe os braços e percebi que os seus ficaram nos meus braços... Entonteci-me e ela cambaleou... Pensei e ela atendeu... Levantei-a e caminhamos... Esbofeteei-o e enlouqueci de ódio, de vingança, de alegria, descobrindo-a louca comigo, misturados...
“Assim estamos, e assim seguiremos.
“Agora, pergunte-lhe se sabe quem sou eu?”
A Entidade, ofegante, no médium em agitação, parecia triunfante. Bezerra entregou o controle psíquico de Matias ao irmão Ângelo e acionando os centros de captação dos Coronéis Santamaria e Sobreira, dirigiaos com vigor.
O doutrinador, tocado por toda a história, ripostou, sereno:
- O teu não é um drama isolado... A tragédia do Gólgota possuía um inocente, que perdoou...
Tu, que também és culpado de toda a ocorrência e dizes-te “temente a Deus”, no entanto, te alegras promovendo sofrimentos... O desespero do teu próximo acalma a tua agonia? A pobre Ester, enlouquecida, recupera Josefa, perdida? A angústia de dona Margarida diminui a pobreza de tua mãe? Não estás vingando-te, estás mais destruindo e destroçando os teus. Tu não amas a família, nunca a amaste...
A palavra bem posta e as interrogações oportunas desarmavam o vingador.
— Amo, sempre amei os meus — revidou, algo possesso.
— Quem ama auxilia na dor, não foge para cometer crimes e negar assistência. Será amor deixar a irmãzinha num prostíbulo, a fim de levar outra jovem ao Hospício? Que diferença há entre aquele que corrompeu Josefa e tu que infelicitas Ester?
— Eu faço justiça!
— Não confundas justiça com indignidade e covardia moral, atacando nas sombras. Se amasses, verdadeiramente aos teus, procurarias socorrê-los, deixando que Deus cuidasse dos demais, porqüanto Ele é o Pai Ünico de todos...
O Espírito começou a chorar diferente pranto.
Nesse instante, o diretor, dirigindo-se ao amigo, sob o telecomando do Instrutor, sugeriu:
— Deseja falar-lhe, Constâncio? Tem algo a dizer? Na Casa de Jesus todos se podem expressar, confiantes.
— Sim, — respondeu, com hesitação na voz, o Coronel Santamaria — eu gostaria de poder dizer quanto estou, também sofrendo. Sou réu, não de um crime conscientemente praticado... Recordo-me do... Matias, que serviu comigo... Jamais desejei trair, desconsiderar... Prometi-lhe fazer alguma coisa, caso ele não voltasse... Aqueles dias pareciam-me tão longe e, todavia, neste instante, muito próximos. Revejo, pela mente, o dia terrível, a vitória e as baixas, as novas lutas, a movimentação da tropa, as ansiedades e os receios.
“Veio a paz, meses depois... O retorno à Pátria, a readaptação, novas atividades e velhos compromissos... Fui traído pela memória... Meu Deus, oh! esqueci-me... Jamais... me lembrei...
Só, então, agora.
“Perdoa-me, tu, que tens tanto sofrido! Perdoa-me! Não agi por mal. Dá-me a oportunidade de reparar, antes da minha partida, tantos danos.”
A inesperada atitude do genitor de Ester infundia respeito. Todos nos encontrávamos na mesma elevada emoção.
 
B032 – Capítulo 19 – Revelações Surpreendentes, Segunda parte - Conclusão Voltar ao estudo
 
Centro Virtual de Divulgação e Estudo do Espiritismo – CVDEE
Sala de Estudos Manoel Philomeno
Livro em estudo: Grilhões Partidos – Editora LEAL - 1974
Autor: Espírito Manoel Philomeno de Miranda, psicografia de Divaldo Pereira Franco
B032 – Capítulo 19 – Revelações Surpreendentes, Segunda parte

Capítulo 19
Revelações Surpreendentes
CONCLUSÃO

QUESTÕES PARA ESTUDO

1 – Matias continua a narração de seus sofrimentos. Depois de encontrar sua mãe na penúria e sua irmã na prostituição, lembrou-se instintivamente do Coronel Santamaria, que lhe havia prometido amparar sua família. No entanto, encontrou-o despreocupado dessa promessa e celebrando o aniversário de sua filha, Ester. Recordando o início do livro, quem era a entidade que perturbara Ester na sua festa de aniversário e que fizera com que esta esbofeteasse o pai?
Neste momento da narrativa, as histórias se encontram e temos a elucidação da passagem marcante do início do livro. Conforme a pergunta acima, Matias havia encontrado o Coronel Santamaria desatento de suas promessas e festejando o aniversário da filha, em contraste doloroso com sua irmã presa ao prostíbulo. Então, tentou machucar diretamente o coronel, mas este lhe permanecia indiferente. Foi, então, que percebeu que poderia controlar a filha e assim acertar o pai. Matias, deste modo, controlou os membros da filha, fê-la desmaiar e desvairar e, por fim, fê-la esbofetear o próprio pai, num desejo de vingança. A partir daí, a obsessão se instalou atingindo a situação profunda a que temos estudado.

2 – Matias, na sua sede de vingança, e segundo o doutrinador, ama sua família?
Não. Embora diga que ama sua família, o espírito infeliz, em verdade, está com o orgulho ferido e com o coração cheio de ódio. Se amasse sua família, como diz, duplicaria esforços para afastar a penúria da mãe e a miséria moral da irmã – quem sabe intuindo o próprio coronel a cumprir com sua promessa… O amor, segundo o médium doutrinador, não destrói, nem produz mais sofrimento, mas sim constrói e tenta remediar a situação.

Bom estudo a todos!! Participem!!
Equipe Manoel Philomeno
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