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B031 – Capítulo 19 – Revelações Surpreendentes, Primeira parte (Estudo 18 de 20)

       

Centro Virtual de Divulgação e Estudo do Espiritismo – CVDEE
Sala de Estudos Manoel Philomeno
Livro em estudo: Grilhões Partidos – Editora LEAL - 1974
Autor: Espírito Manoel Philomeno de Miranda, psicografia de Divaldo Pereira Franco

B031 – Capítulo 198 – Revelações Surpreendentes, Primeira parte

Capítulo 19
Revelações Surpreendentes

Pergunta: 280. “De que natureza são as relações entre os bons e os maus Espíritos?”
Resposta: “Os bons se ocupam em combater as más inclinações dos outros, a fim de ajudá-los a subir. É sua missão.” “O LIVRO DOS ESPÍRITOS” — Parte 2ª — Capítulo 6º.
Um frêmito percorreu os companheiros, colhidos pela surpresa.
- Quem se pode considerar ditoso, realmente ditoso, por enquanto? — retrucou, inspirado, o diretor. — Só os bem-aventurados que se doaram à felicidade dos outros podem fruir essa recompensa. Não nós.
— Eu, porém, sou infeliz, porque odeio e quero odiar, pois não sei outra coisa fazer.
— O ódio é desvio, não estrada; é o amor revoltado, não a saúde; é brasa viva queimando a quem o retém... Nenhuma ofensa merece a resposta do ódio, antes o revide pelo perdão. Odiar é do instinto, perdoar, da razão.
— Não por mim, que sou ignorante, fui enganado, sou um animal...
— Enganado, meu amigo, está quem ilude. Toda vítima, hoje ou mais tarde, é abençoada, não o algoz. Não te cremos um animal; não, no sentido que desejas dar à palavra.
— A vítima, porém, recorda o que sofreu, qual o animal que foi ferido...
— Porque te agrada sofrer. E como preferes não te libertares da doença para a paz da saúde, não será fácil ajudar-te.
— Pergunte-lhe — estertorou, quase a chorar, — pergunte-lhe se se recorda de mim.
— Claro que não recorda. Estamos em planos diferentes da vida. Ele não te vê, não sintoniza contigo, envolvido pela densidade da matéria. Ës desencarnado. Nem todos te podemos ver, embora muitos te possamos sentir e até sofrer-te, qual ocorre com Ester.
A voz do dirigente se encontrava impregnada de doçura e clareza, bondade e fé, vibrações que alcançavam o interlocutor de forma benéfica, apaziguadora.
— Embora não seja importante — continuou — não nos disseste, sequer, o nome. Como identificar-te? Aqui te recebemos na condição de irmão enfermo e isto nos basta para desejar auxiliar-te.
— Pois, bem, chamo-me Matias. Morri na guerra por ordem dele… Pergunte-lhe. Talvez não recorde. Quem lembraria de um reles soldado raso, infeliz? Fui, porém, seu ordenança, seu escravo (*) Chamavam-me “o baiano”…
Ele era, então, capitão e dava a impressão que a guerra era dele... Estávamos na Itália… Era dezembro de 1944... O inverno cruel nos desgraçava em Monte Castelo... E a guerra em volta... Algumas batalhas haviam redundado em pesadas baixas para nossas forças… O dia 12 não chegou a raiar, tão frio, úmido, brumoso, de chuvas contínuas... As ordens eram para tomar a Cordilheira de Monte Castelo em anterior tentativa fracassada... Eu participara da última batalha e retornava ao combate... Então.
O Espírito sofredor começou a deblaterar, dolorosamente.
O abnegado Bezerra, que o socorria carinhosamente, presto lhe aplicou recursos balsamizantes, de modo a auxiliá-lo no depoimento esclarecedor, ajudando-o a descarregar as energias negativas que o enlouqueciam.
Concentrados e observando o Espírito em deplorável desespero, podíamos acompanhar as cenas que lhe afloravam à mente e se condensavam em vigoroso processo ideoplástico.
Tão reais eram as evocações que Matias se retorcia na aparelhagem mediúnica, deformando a fisionomia do intermediário convulsionado e reexperimentando as dores cruciais do momento da partida...
O Coronel Sobreira, inspirado pelo Mentor, acercou-se do médium e acudiu Matias incorporado com o recurso da aplicação de passes magnéticos de longo curso com a função calmante...
Concomitantemente, falava-lhe, confortador:
— Guarda a calma, meu irmão, e conserva a confiança em Deus. Tudo já passou... As lembranças más se corporificam facilmente, tornando-se algoz impenitente... Asserena-te.
— Sofro, e o ódio me desarvora! — baldoou, agônico. — Agora ele se lembrará de mim.
Posso, ainda, refrescar-lhe a memória...
— Meu irmão — asseverou o doutrinador — a guerra passou há mais de quinze anos com todas as suas dores e te demoras nesse infeliz estado! Que tens feito do conhecimento da Imortalidade? Que necessidade há de vingar-te em alguém, a quem responsabilizas pela tua partida para o Mundo Espiritual? Desencarnação é fenômeno natural...
— Não comigo! — interrompeu-o, lancinante. — Ele matoume, empurroume para a morte... E não é tudo. O tratante traíume... Odeio-o, odeio-o!...
- Melhor repousares, meu irmão... O ódio é ácido destruidor!...
Rearmoniza-te, agora. Procura acalmar-te. Isto passará...
A voz pausada, melódica, rítmica do Coronel Sobreira influenciado pelo Mentor, produzia indução calmante no atribulado perseguidor.
Utilizando-nos da mentalização ambiente, procuramos aumentar a nossa cooperação mediante a prece intercessória, enquanto o Instrutor sustentava o adversário de Ester, a fim de que se pudesse deslindar dos fortes laços da animosidade, revelando a trama da própria desdita.
Os irmãos Melquíades e Ângelo, adestrados na enfermagem psíquica, acercaram-se do casal Santamaria, tranqüilizando os angustiados genitores.
O Coronel recordava, revia os tumultuosos dias da Segunda Guerra Mundial, aquele rude dezembro e as duras batalhas... Não se lembraria de Matias não fosse a alcunha com que todos o identificavam: o baiano, considerando sua procedência..
“Que mal lhe fizera? — interrogava-se. — Nunca maltratara quem quer que fosse? Que lhe devia?”
Havia lágrimas que lhe refrescavam a face escaldante. Desde há muito vinha sopitando o desejo de chorar. No silêncio e calma que se fizeram de inopino deixou-se luarizar pelo pranto sem revolta. Sentia opressão angustiante no tórax.
Os mistérios da vida eram muitos, a colhê-lo, agora, em surpresas contínuas.
Afiançava-se a si mesmo que tudo ao alcance faria para apaziguar o irmão infeliz, recuperando a filhinha.
— Oh! Deus meu, piedade! — balbuciou, sem dominar a emoção.
A esposa carinhosa, igualmente vencida pelas circunstâncias, inspirada, porém, por Melquíades, segurou-lhe a destra, sustentando-o.
- Tenha calma! Confiemos, sim, em Deus! Ajudemos com a nossa oração contrita.
Pai Nosso...
A intervenção oportuna teve o feliz efeito desejado.
Enquanto isso, o doutrinador aplicava recursos através de passes no médium Joel, que continuava incorporado por Matias, estertorando, em ligeiras convulsões.
A fluídoterapia oportuna recompôs a Entidade, que, estimulada pelo afável Bezerra deu curso à narração dos infaustosos acontecimentos:
— Nunca morri de amores por ele, apesar disso sempre o servi com respeito... No íntimo experimentava surda antipatia que sufocava, considerando a sua posição de relevo.
Fez uma pausa, como a ordenar as lembranças tumultuadas na mente aturdida.
— Prossegue, meu irmão. — Estimulou-o o diretor. — Estamos interessados em conhecer toda a extensão do teu drama, para melhor ajuizar as tuas angústias e ajudar-te com mais segurança. Prossegue!
Sentindo-se menos desesperado, graças ao auxílio que recebia de ambos os planos da Vida, pigarreou, dando continuidade:
— Sempre acreditei em sonhos... Pois eu sonhara que ia morrer naquele dia. Dormira quase nada e, mesmo assim, me viera o aviso. Rezei, e dirigi-me ao capitão a pedir-lhe para ser colocado em qualquer serviço, menos ser mandado para a linha de fogo.
Expliquei-lhe o motivo. Ele zombou de mim, e gritou que todos estávamos ali para morrer... Esse era o nosso dever: dar a vida pela Pátria e aquela era a hora.
“É claro que eu compreendia mas... Sem saber como, eu lhe pedi um favor. Se eu morresse conforme eu acreditava que ia acontecer, eu lhe suplicava que ajudasse minha mãe e uma irmã, que deixara na minha terra... Ele me olhou sério e compreendeu a gravidade do meu pedido... Prometeu que o faria. Anotou meu número de identidade, o endereço da minha família... Foi um momento solene para mim...
Voltou a ser acometido pela asfixia, pelo desespero. As amargas como as ditosas lembranças que se cultivam são transformadas em algemas ou asas para quem as vitaliza. Assim, Matias sofria a injunção das malévolas idéias do ódio e das recordações penosas que o ulceravam cada vez mais, sem lenir-se com a oração, a esperança ou o otimismo, em relação ao futuro.
O doutrinador atento, acudiu-o, concitando:
— Narra sem paixão, meu amigo. Recorda sem ódio. Experimenta expor com lealdade para rever melhor as ocorrências sucedidas. Não estás aqui a sós...
— Sim, o anjo bom me olha e concorda que eu fale...
“Pois bem: segui e tombei... Não há palavras para exprimir o que me aconteceu... Nunca soube realmente como foi... Era somente a zoada na cabeça, a dor, o sangue a jorrar, a agonia, o clarão e a morte... O clarão e a zoada... Perdia a consciência para acordar na mesma desgraçada situação… Gritava e outros gritos abafavam o meu... Segurava os pedaços do corpo que estourara... Não sei, não sei! Durou a eternidade..
“Um dia, — quando? — não sei quando, ouvi um choro e o meu nome sendo chamado... Tudo em mim eram dores e eu era frangalhos... Alguém me chamava com tanto desespero que me despertou, me arrastou. Subitamente, vi de joelhos minha mãe gritando por mim. Ninguém pode avaliar o que foi isso.
“Corri para ela, cambaleante. Respondi-lhe: estou vivo, mamãe, estou doente, mas não morri!... Ela não me ouvia... Eu a sacudi, então, gritei mais, desesperei-me... e nada. Ataquei os transeuntes para que lhe dissessem que eu estava vivo... Tudo inútil. Fiquei pior... Ela falava em pranto: “Oh! Senhor, se meu Matias fosse vivo nós não estaríamos nesta miséria: nem eu nem Josefa…
“Josefa era minha irmã. Onde andava? Notei que mamãe tornara-se uma sombra do que eu deixara, embora fosse ela mesma. E Josefa? Passei a deblaterar, na esperança de que ela me ouvisse. Tudo isso na rua...
“O que aconteceu... foi superior à minha capacidade de entender... Não sabendo o que se passava comigo, já que eu estava vivo, senti-me arrastar por desconhecida força e deparei-me numa casa de cômodos, próxima ao cais do porto... Mulheres andrajosas, descabeladas, ferozes, brigavam e xingavam, numa desenfreada perdição... Era uma casa de pecado... Subi as escadas impelido por uma desesperada busca... Parei num quarto, que era mais um chiqueiro e dali, olhando o mar, estava minha irmã... Crescera... Mudara tanto! Dela, somente os olhos grandes, negros, tristes e os cabelos.
“Não podia ser... Às minhas dores se juntavam, agora, novos horrores… Ela chorava e devia estar pensando em mim... Eu sentia pelo coração que ela me chamava com saudade, com mágoa. E tossia... Transparente e fraca, quase a desfalecer, deixava as lágrimas cairem... Aproximei-me, toquei-a, também, em pranto, sem forças... Ela estremeceu... chamei-a, chamei-a... Ela ficou com o olhar de louca, agitou-se, enquanto eu a chamava... Creio que me viu porque deu um grito e saiu a correr... O alvoroço tomou conta do lupanar infeliz. .. Então, minha irmã estava ali... Não suportei e desmaiei.
(*) Algumas informações apresentadas pela Entidade perturbada foram supressas, outras mereceram tratamento especial, por motivos óbvios. Algumas opiniões sobre o purgatório, inferno são decorrência do estado mental e da antiga confissão religiosa da mesma personagem. Segundo dados oficiais, durante o período das hostilidades, que abrangeu de 16-09-1944 a 28-04-1945, a Força Expedicionária Brasileira experimentou, na Itália, a perda de 21 oficiais, 444 praças, com 2.722 feridos, 16 desaparecidos e 35 prisioneiros. (2ª Guerra Mundial)

QUESTÕES PARA ESTUDO

1 – O grupo de trabalhos mediúnicos estava ali reunido para o prosseguimento do tratamento espiritual de Ester, diante da manifestação do espírito Matias. Quem era este espírito?

2 – Em qual situação se encontravam a mãe de Matias e sua irmã, Josefa?

Bom estudo a todos!! Participem!!
Equipe Manoel Philomeno
  Conclusão deste estudo 
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