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B016 – Capítulo 11 – Epilepsia, Segunda parte (Estudo 16 de 20)

       

Centro Virtual de Divulgação e Estudo do Espiritismo – CVDEE
Sala de Estudos Manoel Philomeno
Livro em estudo: Grilhões Partidos – Editora LEAL - 1974
Autor: Espírito Manoel Philomeno de Miranda, psicografia de Divaldo Pereira Franco
B016 – Capítulo 11 – Epilepsia, Segunda parte

Capítulo 11
Epilepsia

E como me parecesse comportar maiores esclarecimentos, voltei a indagar:
- Seria, então, de supor-se que não ocorrem manifestações de epilepsia simulacro, isto é: obsessões cruéis, produzindo aparentes estados epilépticos?
— Indubitavelmente há processos perniciosos de obsessão, que fazem lembrar crises epilépticas, tal a similitude da manifestação. No caso, porém, em pauta, o hóspede perturbador exterioriza a personalidade de forma característica, através da psicofonia atormentada, diferindo da epilepsia genuína. Nesta, após a convulsão vem a coma; naquela, à crise sucede o transe, no qual o obsessor, nosso infeliz irmão perseguidor, se manifesta.
“Ocorrência mais comum dá-se quando o epiléptico sofre a carga obsessiva simultaneamente, graças aos gravames do passado, em que sua antiga vítima se investe da posição de cobrador, complicando-lhe a enfermidade, então, com caráter misto.
“Conveniente, nesse como noutros casos, cuidar-se de examinar as síndromes das enfermidades psiquiátricas, a fim de as não confundir com os sintomas da mediunidade, no período inicial da manifestação, quando o médium se encontra atormentado.
“Nesse sentido é mister evitar-se a generalidade, isto é, a simplificação do problema com arremetidas simplistas, como é de hábito muitos fazerem.
“A contribuição fluídoterápica, nas diversas expressões em que se apresenta, é de valor inconcusso, de indiscutível benefício, desde que o paciente se disponha realmente a ajudar-se.”
Silenciou, momentaneamente, depois do que voltou a considerar, pausado, cuidadoso:
— Examinemos a jovem Vivianne sob nossa caridosa observação.
“No último quartel do século passado, iremos encontrá-la na roupagem de atriz menos categorizada, que, portadora de invulgar beleza, de cedo entregou se a toda sorte de dissipações, nas quais manteve graves conúbios com pessoas pervertidas, deixando-se arrastar a gravames muito sérios.
“À aproximação dos 40 anos, como não se celebrizasse no teatro, fez-se hábil na preservação do patrimônio em dinheiro e jóias, avidamente reunidos, pensando garantir-se na velhice, quando exaurida. Para lograr o intento, consorciou-se com astuto chantagista que a utilizava na arte da exploração de cavalheiros idosos e irresponsáveis, mantenedores da arte galante que conduz aos prazeres fugidios.
“É claro que logrou sucesso... Demandou a Europa diversas vezes, a expensas de cidadãos apaixonados, entregando o corpo e a alma às mais torpes sensações.
“Desenvolveu-se-lhe singular ganância, fascinada cada vez mais em tormentosa cupidez pelas jóias, que a deslumbravam, convertendo se em infeliz negociante de prazeres, mediante a utilização de jovens mulheres, que ludibriava e escravizava.
“Com habilidade invulgar, recorrendo à dissimulação e ao engodo, em que se fez excelente atriz, logrou descartar-se do esposo inditoso, comparsa dos seus crimes, através de bem urdido homicídio, no qual tomou parte relevante um jovem apaixonado, a quem se uniu por algum tempo, acariciando glórias, padecendo receios, dando prosseguimento ao programa de leviandades.
“Temendo a denúncia do cômpar, quando este denotava sinais de cansaço das suas carícias, não trepidou eliminá-lo, a seu turno, numa das viagens transatlânticas, recorrendo a guloseimas envenenadas, não mais se vinculando especialmente a pessoa alguma, saturada dos excessos da sensualidade e atormentada, mais ainda, pelo pavor de vinganças ou rapinas, no meio em que vivia, explorando as vítimas com maior agudeza e fazendo-se, em conseqüência, execrável crapulosa.
“Viveu longos anos perseguida pelos desvarios da posse, que defendia mediante a usança de todo artifício imaginável, agasalhando, porém, sem o perceber, a memória das vítimas, em forma de receios e remorsos que se lhe infiltraram na mente em desalinho, até que a loucura, no termo da existência física, arrastou-a a um Manicômio, onde sucumbiu, esquecida, malsinada...
“Não faltaram aqueles que se locupletaram nos haveres deixados, sob os estigmas da desonra, da hediondez.
“Ingressou no além-túmulo exaurida e seviciada pelos antigos consórcios que a aguardavam, vingativos, padecendo, por algumas décadas, inomináveis aflições.
“O genitor atual é o antigo esposo, que a precedeu, a fim de esperá-la e que não titubeou em interná-la nesta Casa, logo se lhe agravaram as crises epilépticas, depois de martirizá-la demoradamente, com o desprezo e o ódio com que a tratava.
“A mãe, por sua vez, é uma das jovens exploradas, que desde cedo exteriorizou singular aversão pela filha, enferma desde os verdes anos da primeira infância, quando padecia as ausências prenunciadoras das disritmias cerebrais, que se agravariam na puberdade, tornando-se a epilepsia genuína de hoje.»
Compungido, o Orientador facultou-nos, em pausa significativa e oportuna, reflexionar ante o quadro austero do sofrimento, a refletir a justeza das Leis da Vida, que não esquecem, não condenam, não liberam senão pela reabilitação do culpado.
— Condicionada por longos anos — elucidou com benignidade – a dissimulação, à mentira, ao suborno, acalentando pavores que a arrastaram à loucura, lesou os centros perispirituais, que em se fixando no novo corpo, alteraram o metabolismo endócrino, produzindo a enfermidade que ora lhe cobra os delitos cometidos.
“Face ao estado avançado da enfermidade, porqüanto as fixações mentais antigas ressurgem como alucinações que lhe complicam o quadro patológico, defronta, quando se desprende parcialmente do corpo nas rudes refregas convulsivas, o amante assassinado, ainda no Plano Espiritual, que a atemoriza com bem urdida maldade. O horror que a assoma se transmite à aparelhagem orgânica, motivando nova e penosa crise, a suceder-se, não raro, por horas contínuas.
“Tem, então, noção do resgate, embora o tumulto que a vence, reconhecendo a culpa que arrasta consigo, aspirando pela libertação, que pressente próxima.
“Realmente arrependida dos erros praticados, não jaz aqui à mercê do abandono, uma vez que antigo afeto em melhor posição espiritual, que intercedeu pelo seu renascimento, vem visitá-la com assiduidade, lenindo-lhe as aflições e encorajando-a a avançar. Nunca faltam os sublimes recursos do amor, mesmo nos abismos mais infelizes onde vigem os déspotas e os maus de todos os tempos, ali transitando para as experiências libertadoras. .
Nesse comenos, adentrou-se pelo apartamento respeitável Entidade que nos saudou cordialmente, acercando-se da enferma que demorava em estado comatoso no solo.
Envolveu-a com imensa ternura, aplicou-lhe recursos refazentes e balsâmicos, desembarançando-a dos fluídos tóxicos que a entorpeciam e despertando-a, a pouco e pouco, fê-la reconhecê-lo. O semblante se lhe tornou agradável, descontraído, e, tomada por inusitada emotividade, deixou-se conduzir, afastando-se daqueles sítios, na busca de renovação e paz.
— Acreditamos — arrematou o Mensageiro da caridade — que logo mais desencarnará, vítimada por um colapso cardíaco, após haver pago os compromissos negativos antes assumidos.
“Muitos companheiros lutariam para que permanecesse no corpo, esquecidos de que a vida verdadeira é a Espiritual, representando a experiência carnal bênção e oportunidade transitória para a nossa evolução.”
Estávamos fascinados. Realmente, também nós, quando no corpo físico, supúnhamos que, na epilepsia, defrontávamos invariavelmente o fenômeno obsessivo, sem logicar que no organismo vêm impressas as necessidades de cada um, a se traduzirem como deficiências, limitações, coarctações, problemas de saúde.
Idiotia, oligofrenia, mongolismo, epilepsia, psicoses várias, esquizofrenia, demência são terapêuticas de que se utiliza a Justiça Divina para alcançar os Espíritos doentes, que tentam fugir à Verdade, mancomunados com o crime e a ilusão.
Para que tais cometimentos se realizem, entram em jogo os programas cromossomáticos e genéticos tão bem estudados por Gregório Mendel, no século passado, encarregados de expressarem durante a reencarnação os impositivos redentores.

QUESTÕES PARA ESTUDO

1 – Embora a epilepsia genuína em Vivianne, isto é, fundada lesões no córtex cerebral, ainda assim há causas espirituais, conforme afirma Bezerra no último estudo: “Não desconhecemos que toda enfermidade procede do Espírito endividado (...)” Qual é a causa espiritual nesta situação? Quem foi Vivianne noutra reencarnação?

2 – Que é a epilepsia simulacro e como diferenciá-la da genuína? O que ocorre na epilepsia mista?

3 – Comente a afirmação: “Idiotia, oligofrenia, mongolismo, epilepsia, psicoses várias, esquizofrenia, demência são terapêuticas de que se utiliza a Justiça Divina para alcançar os Espíritos doentes (...)”

Bom estudo a todos!! Participem!!

Equipe Manoel Philomeno
  Conclusão deste estudo 
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