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B010 – Capítulo 7 – Advertência e Esclarecimento (Estudo 10 de 20)

       

Centro Virtual de Divulgação e Estudo do Espiritismo – CVDEE
Sala de Estudos Manoel Philomeno
Livro em estudo: Grilhões Partidos – Editora LEAL - 1974
Autor: Espírito Manoel Philomeno de Miranda, psicografia de Divaldo Pereira Franco
B010 – Capítulo 7 – Advertência e Esclarecimento

Capítulo 7
Advertência e Esclarecimento

Pergunta: 459. “Influem os Espíritos em nossos pensamentos e em nossos atos?»
Resposta: “Muito mais do que imaginais. Influem a tal ponto, que de ordinário são eles que vos dirigem.”
Pergunta: 465. “Com que fim os Espíritos imperfeitos nos induzem ao mal?»
Resposta: “Para que sofrais como eles sofrem.”
“O LIVRO DOS ESPÍRITOS” — Parte 2ª — Capítulo 9º.
A entrevista mantida pelo Coronel Santamaria com o diretor da Casa de Saúde deixara no esculápio as vibrações da cóleramal contida. Incontinente, Rosângela foi convidada à Administração e compreendeu que chegava o instante decisivo para a sua fé
O psiquiatra não se deu à gentileza de mandá-la sentar-se. Olhando-a com rispidez, ardil de que se utiliza a fraqueza para disfarçar a falta de valor, foi incisivo:
— O Coronel Constâncio Santamaria acaba de deixar este gabinete, após apresentar grave acusação ao seu comportamento.
A moça estava lívida, não obstante, serena.
O chefe, levantando-se, enfrentou-lhe o olhar tranqüilo e prosseguiu, fuzilante:
- Como se atreve transformar esta Casa num deplorável sítio de práticas ignominiosas, nigromânticas?
— Deve haver um engano, doutor. — Retrucou, surpresa.
— Não me interrompa. — Revidou, colérico. — Não esqueça sua função e resttinja-se a ela. Aliás, você aqui se encontra em período experimental e a sua falta é condição para despedi-la, pura e simplesmente.
— Solícito melhores esclarecimentos. — Justificou a auxiliar.
— A senhorita é acusada de práticas de magia ao lado de uma paciente, a filha do Sr. Coronel. Que tem a dizer?
— Que a informação é falsa e a acusação, portanto, injusta.
Rosângela estava socorrida pela inspiração de que se fazia credora, ante a trama nefasta da sordidez humana e da ardilosidade dos comparsas do mal, desencarnados.
— Então, deseja dizer que o Coronel está mentindo? Ë louca?
— Em absoluto, não digo isto. Assevero que jamais me afeiçoei a qualquer prática desabonadora à minha dignidade, muito menos em relação a magias, que desconheço inteiramente.
— No entanto, é metida em Espiritismo, filiada a esse círculo de loucos desnaturados?
— O dr. está equivocado. Sou espiritista, sim, aliás, com imensa honra, o que é perfeitamente permitido pelas leis do país, constituindo uma admirável filosofia de vida e religião consoladora. Quanto à alegação de que o Espiritismo e um circulo de loucos”, desejava indagar ao senhor diretor qual a religião que professam os internados nesta Casa? Não me consta que a jovem Ester jamais houvesse freqüentado uma Casa Espírita, o que, talvez, se ocorresse, lhe teria evitado a tragédia em que sucumbe, a pouco e pouco.
— Além de desequilibrada é atrevida!
— Desculpe, doutor. Sou convicta da fé que esposo e minha conduta é irrepreensível. Se os meus serviços não servem a este Nosocômio, não há porque transformá-los em problema; porém, não me cabe silenciar diante da acusação improcedente. Confio em Deus e sei que o senhor é portador de excelentes dotes do sentimento, do caráter, da razão.
Havia nobreza e coragem nas afirmações da jovem. Colhido de surpresa pela argumentação da auxiliar, o diretor administrativo sentou-se, desenovelando-se dos fluídos mefíticos que lhe obliteravam o discernimento e asserenou-se.
O doutor Nilton Silva era homem judicioso. Dedicado à direcão da Casa, não se transformara num mercador da saúde. Possuía sempre um recurso para dispensar aos enfermos e descobria uma “vaga” para os casos de emergência. Aplicava a psicoterapia do sorriso e do bom-humor, fazendo-se amar por todos: funcionários, serviçais, colegas, enfermeiros...
Naquela manhã, no entanto, atritara no lar, experimentando singular aborrecimento, que aumentara com a visita do Coronel Santa-maria: sua primeira entrevista do dia.
Não era religioso, e isso exibia com orgulho. No entanto, erá cortês, gentil homem. Fora vítima do cerco das Entidades infelizes que se compraziam na cobrança à família do Coronel e se desforçavam em Ester.
Não era a primeira vez, como de fácil entendimento, estando ele em função relevante. O mesmo ocorria a outros colegas que nem sempre suportavam as constrições, sucumbindo, desastrosamente.
Olhou, então a moçoila frágil à sua frente, dependente do trabalho honrado, que conseguira fazer-se estimar em pouco tempo por quantos privavam da sua companhia. Como a desculpar-se, esclareceu:
— O Coronel proíbe-a de acercar-se da filha. Quer dar-me a sua versão do caso?
— Serei sucinta — esclareceu, Rosângela. — Afeiçoei-me a Ester desde que a vi. Aliás, dedico-me ao trabalho com carinho e sou partidária da teoria de que o amor muito consegue, quando falham outros recursos. Após observá-la, demoradamente, considerando as lições do Espiritismo, no capítulo das obsessões, resolvi, com permissão do doutor Gilvan de Albuquerque, o meu benfeitor, do senhor conhecido, solicitar uma entrevista ao senhor Coronel, dando-lhe minhas desvaliosas, porém honestas impressões sobre o problema psíquico da filha. Sequer não me ouviu, impedindo-me, de certo modo, concluir o desejo de sugerir-lhe a terapêutica espírita, simultaneamente à que vem sendo tentada neste respeitável Frenocômio.
— E qual seria? — Interrompeu-a, algo zombeteiro.
— Freqüência, dele e da senhora, a uma Sociedade Espírita, ajudando a filha com orações, e, a posteriori, com labores desobsessivos.
— E crê, você, realmente, em orações, em “labores desobsessivos”? — Rosnou, sorrindo, largamente.
— Sem dúvida. — Anuiu, imperturbável — Não apenas creio, como sou testemunha dos seus resultados surpreendentes.
— Junto a nevropatas — arengou, perspicaz, escarnecedor, — sugestionados, “místicos”!?
— Não somente com esses — refutou, gentil — muitos dos quais nada houveram conseguido em tratamentos longos, quão inócuos, porqüanto a sua enfermidade não procedia exclusivamente da psiquê, mas do Espírito, doente em si mesmo, quando não perturbado por outros Espíritos... Outros pacientes, desenganados, portadores de diagnose depressiva, esquizofrênica, recuperaram a lucidez, ante os meus olhos, por serem, realmente, obsessos em trânsito provacional.
— Minha jovem, não esqueça que sou ateu e psiquiatra —arremeteu, finalista. — Linda ilusão, essa, porém irracional, improvável. Como provar?
— Mui facilmente — contestou, confiante — freqüentando as boas Casas Espíritas..
— E as há de má qualidade? — interceptou-a.
- Sim — confirmou —, como os maus médicos, os incompetentes, os aventureiros, os maus servidores que estão em todo lugar; assim como as péssimas Organizações que triunfam em muita parte, porqüanto, onde predomina o homem, aí se fazem presentes as suas manifestações morais, poucas vezes salutares.
— Mas, se não creio em Deus e considero toda essa gente uns psicopatas perigosos?
— Não crer em Deus é mau para o Sr., uma vez que não aceita uma realidade, tal não lhe modifica a estrutura... Quanto à consideração final, se não me engano, até há pouco os partidários da “Escola fisiológica” agrediam rudemente os profitentes da “psicológica”... Não vão longe os dias em que Pasteur, Broca, Hughlings Jackson e outros eram tidos por loucos, inclusive o eminente Pinel... Sábios e cientistas de todas as épocas não se puderam libertar da alcunha, pois é muito mais fácil atacar o que se ignora do que estudá-lo, azucrinar os trabalhadores, do que fazer-lhes as tarefas, perseguir os idealistas, do que erguer-se do comodismo, a fim de ultrapassá-los... Não, o doutor, com sua licença, não está bem informado. As caóticas opiniões que lhe chegaram são defeituosas, resultado do preconceito e da má-vontade. Com a permissão do dr. Gilvan, estou autorizada a franquear-lhe aquele lar para observações...
— Muito obrigado, sou-lhe reconhecido. Estou satisfeito com o meu modo de encarar a vida e os fatos. Encerremos esta entrevista que se alonga. Por favor, reserve suas opiniões para si mesma, e não se aproxime da jovem Ester. Não é boa medida?
— Perfeitamente, doutor. Posso retirar-me?
— À vontade.
Rosângela afastou-se e o médico-diretor, surpreso com o que ouvira, mergulhou em graves meditações. Afinal, eram lógicas as palavras da jovem e pontificadas por muita vivacidade. Dava a impressão de possuir cultura.
As forças do Bem venciam o tentame e o rio da misericórdia divina conduzia o seu curso na direção da subjugada.

QUESTÕES PARA ESTUDO

1 – Quem era o Dr. Nilton Silva e como ele julgava o Espiritismo?

2 – O que Rosângela propunha para o tratamento de Estert?

3 – Por que encontramos pessoas que julgam o Espiritismo como o Dr. Nilton Silva e o Coronel Santamaria? Que podemos fazer para modificar este julgamento?

Bom estudo a todos!! Participem!!

Equipe Manoel Philomeno
  Conclusão deste estudo 
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