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Valiosa Experiência (Estudo 11 de 20)

       

CVDEE - Centro Virtual de Divulgação e Estudo do Espiritismo
www.cvdee.org.br - Sala Nosso Lar - Estudo das obras de André Luiz

Livro em estudo: Libertação
Tema: Valiosa Experiência
Referência: Capítulo XI
Data: 18/10/01


Trechos do Capítulo

Atento à sugestão do médico amigo, no dia imediato pela manhã dispôs-se Gabriel a conduzir a esposa ao exame de afamado professor em ciências psíquicas, no intuito de conseguir-lhe cooperação benfazeja.

Pude reparar, então, que a liberdade dos homens , no terreno da consulta, é quase irrestrita, porquanto, de nosso lado, Gúbio demonstrou profundo desagrado, asseverando-me, discreto, que tudo faria por impedir a providência que somente seria profícua e aconselhável, a seu parecer, através de autoridade diferente no assunto.

O professor indicado era, segundo a opinião do nosso desvelado orientador, admirável expoente de fenômenos, portador de dons medianímicos notáveis, mas não oferecia proveito substancial aos que se acercassem dele, por guardar a mente muito presa aos interesses vulgares da experiência terrestre.

_ Fazer psiquismo – falou-me o instrutor, em voz quase imperceptível – é atividade comum, tão comum quanto qualquer outra. O essencial é desenvolver trabalho santificante. Visitar medianeiros de reconhecida competência no trato entre os dois mundos, senhores de faculdades magníficas no setor informativo, é o mesmo que entrar em contacto com os donos de soberba fortuna. Se o detentor de tão grandes bens não se acha interessado em gastar os recursos de que dispõe, a favor da felicidade dos semelhantes, o conhecimento e o dinheiro apenas lhe agravarão os compromissos no egoísmo praticado, na distração inoperante ou na perda lamentável de tempo.

Apesar da oportuna observação, notamos que o esposo da obsidiada não oferecia receptividade mental que nos favorecesse a modificação desejável.

Todo nosso esforço sutil para colocá-lo noutro caminho redundou em fracasso. Gabriel não sabia cultivar a meditação.

(...)

Mais três grupos de pessoas ali se congregavam em ansiosa espera.

(...)

Reparei que os presente se faziam seguidos de grande número de desencarnados. Para definir corretamente, a casa inteira mais se assemelhava a larga colmeia de trabalhadores sem corpo físico.

Entidades de reduzida expressão evolutiva iam e vinham, prestando pouca atenção à nossa presença.

(...)

Acercamo-nos de acolhedora poltrona, em que um cavalheiro de idade madura, dando mostras de evidente moléstia nervosa, permanecia ladeado por dois rapazes (...) Gúbio observava-o meticulosamente, decerto nos preparando valiosos ensinamentos. Transcorridos alguns instantes , falou-nos, em voz sumida:

_ Vejamos a que calamidades fisiológicas podem os distúrbios da mente conduzir um homem. Temos sob nosso olhar um investigador da polícia em graves perturbações. Não soube deter o bastão da responsabilidade. Dele abusou para humilhar e ferir. Durante alguns anos, conseguiu manter o remorso à distância; todavia, cada pensamento de indignação das vítimas passou a circular-lhe na atmosfera psíquica, esperando ensejo de fazer-se sentir. Com a maneira cruel de proceder atraiu, não só a ira de muita gente, mas também a convivência constante de entidades de péssimo comportamento que mais lhe arruinaram o teor de vida mental. Chegado o tempo de meditar sobre os caminhos percorridos, na intimidade dos primeiros sintomas de senectude corporal, o remorso abriu-lhe grande brecha na fortaleza em que se entrincheirava. As forças acumuladas dos pensamentos destrutivos que provocou para si mesmo, através da conduta irrefletida a que se entregou levianamente, libertadas de súbito pela aflição e pelo medo, quebraram-lhe a fantasiosa resist6encia orgânica, quais tempestades que se sucedem furiosas, esbarrondando a represa frágil com que se acredita conter o impulso crescente das águas. Sobrevindo a crise, energias desequilibradas da mente em desvario vergastaram-lhe os delicados órgãos do corpo físico. Os mais vulneráveis sofreram consequências terríveis. Não apenas o sistema nervoso padece tortura incrível: o fígado traumatizado inclina-se para a cirrose fatal.

(...)

_ Este amigo, no fundo, está perseguido por si mesmo, atormentado pelo que fez e pelo que tem sido. Só a extrema modificação mental para o bem poderá conservá-lo no vaso físico; uma fé renovadora , com esforço de reforma persistente e digna da vida moral mais nobre, conferir-lhe-á diretrizes superiores, dotando-o de forças imprescindíveis à auto-restauração. (...) A memória é um disco vivo e milagroso. Fotografa as imagens de nossas ações e recolhe o som de quanto falamos e ouvimos... Por intermédio dela, somos condenados ou absolvidos, dentro de nós mesmos.

(...)

Abeiramo-nos de um divã, em que respeitável senhora se sentava ao lado de jovem clorótica, parecendo-me avó e neta.(...)

(...)

A matrona aflitivamente aguardava o instante da consulta. A jovem que proferia disparates, não falava por si. Fios tênues de energia magnética ligavam-lhe o cérebro à cabeça do irmão infeliz que se lhe mantinha à esquerda. Achava-se absolutamente controlada pelos pensamentos dele, à maneira de magnetizado e magnetizador. A doente ria sem propósito e conversava a esmo, reportando-se a projetos de vingança, com todas as caracterísitcas de idiotia e insconsciência.

(...)

_ Encontramos aqui doloroso drama do passado. A vida não pode ser considerada na conta estreita de uma existência carnal. Abrange a eternidade. É infinita nos séculos infinitos. Esta menina comprometeu-se gravemente no pretérito. Desposou um homem e desviou-lhe o irmão para vicioso caminho. O primeiro suicidou-se e o segundo asilou-se no fundo vale da loucura. Ei-los, presentemente, ao lado dela para deplorável vidima.(...) Permanece a pobrezinha satura de fluidos que lhe não pertencem.(...)

(...)

_ Não me parece bem encaminhada – elucidou o nosso dirigente, sem presunção. Exige renovação interior e, ao que acredito, não obterá nesta casa senão ligeiro paliativo. Em casos de obsessão como este, em que a paciente ainda pode reagir com segurança, faz-se indispensável o curso pessoal de resistência. Não adianta retirar a sucata que perturba um ímã, quando o próprio ímã continua atraindo a sucata.

(...)

Junto deles se encontrava uma entidade desencarnada, de humilde aspecto. Tomei-a por parte integrante da vasta coleção de Espíritos perturbados que ali funcionava; entretanto, com agradável surpresa para mim, dirigiu-se a Gúbio, exclamando de maneira discreta;

_ Já lhes identifiquei , pelo tom vibratório, a posição de amigos do bem.

Indicando o enfermo , acentuou:

_ Venho aqui na defesa deste amigo. Segundo estarão informados, dispomos no recinto de vigoroso operador mediúnico, sem iluminação interior de maior vulto. Assalariou ele algumas dezenas de Espíritos desencarnados, de educação incipiente, que lhe absorvem as emanações e trabalham cegamente sob suas ordens, tanto para o bem quanto para o mal.

Sorrindo, acrescentou:

_ Nesta casa, o enfermo não é amparado pelo socorrista de que se vem valer e , sim, pela assistência espiritual edificante de que possa desfrutar.

(...)

Logo à entrada do gabinete, percebi que a oficina não inspirava segura confiança.

O professor pôs-se imediatamente a combinar o preço do trabalho de que se encarregaria, exigindo adiantadamento de Gabriel significativo pagamento. O intercâmbio ali, entre as duas esferas, se resumia a negócio tão comum quanto outro qualquer.

Sem detença, reconheci que o médium, se podia controlar, de algum modo, os Espíritos que se alimentavam de seu esforço, era também facilmente controlado por eles.

O recinto jazia repleto de entidades em fase primária de evolução.

(...)

Em razão disso, podíamos analisar os fatos, em companhia de Gúbio,
recolhendo preciosa lição.

Depois de visivelmente satisfeito no acordo financeiro estabelecido,
colocou-se o vidente em profunda concentração e notei o fluxo de
energias a emanarem dele, através de todos os poros, mas muito
particularmente da boca, das narinas, dos ouvidos e do peito. Aquela
força, semelhante a vapor fino e sutil, como que povoava o ambiente
acanhado e reparei que as individualidades de ordem primária ou
retardatárias, que coadjuvavam o médium em suas incursões em nosso
plano, sorviam-na a longos haustos, sustentando-se dela, quanto se
nutre o homem comum de proteína, carboidratos e vitaminas.

(...)

_ Esta força não é patrimônio de privilegiados. É propriedade vulgar
de todas as criaturas, mas entendem-na e utilizam-na somente aqueles
que a exercitam através de acuradas meditações. É o "spiritus
subtilíssimus" de Newton, o "fluido magnético" de Mesmer e
a "emanação ódica" de Reichenbach. No fundo é a energia plástica da
mente que a acumula em si mesma, tomando-a ao fluido universal em que
todas as correntes da vida se banham e se refazem , nos mais diversos
reinos da natureza, dentro do Universo. Cada ser vivo é um
transformador dessa força, segundo o potencial receptivo e irradiante
que lhe diz respeito. Nasce o homem e renasce, centenas de vezes,
para aprender a usá-la, desenvolvê-la, enriquecê-la sublimá-la,
engrandecê-la e divinizá-la. Entretanto, na maioria das vezes, a
criatura foge à luta que interpreta por sofrimento e aflição, quando
é inestimável recurso de auto-aprimoramento, adiando a própria
santificação, caminho único de nossa aproximação do Criador.

(...)

_ É forçoso convir, porém, que este vidente é vigoroso na
instrumentalidade. Permanece em perfeito contacto com os espíritos
que o assistem e que encontram nele sólido sustentáculo.

_ Sim - confirmou o orientador, sereno - mas não vemos aqui qualquer
sinal de sublimação na ordem moral. O professor de relações com a
nossa esfera, inabordável, por enquanto, ao homem comum, sintoniza-se
com as emissões vibratórias das entidades que o acompanham em posição
primitivista, pode ouvir-lhes os pareceres e registrar-lhes as
considerações. Entretanto, isto não basta. Desfazer-se alguém do
veículo de carne não é iniciar-se na divindade. Há bilhões de
Espíritos em evolução que rodeiam os homens encarnados, em todos os
círculos de luta, muito inferiores, em alguns casos, a eles mesmos e
que, facilmente, se convertem em instrumentos passivos dos seus
desejos e paixões. Daí, o imperativo de muita capacidade de
sublimação para quantos se consagram ao intercâmbio entre os dois
mundos, porque, se a virtude é transmissível, os males são epidêmicos.

Nesse ínterim, reparamos que o médium, desligado do corpo físico, se
punha a ouvir, atencioso, justamente a argumentação do assalariado
mais inteligente, cuja cooperação Saldanha requisitara.

(...)

Perante o quadro que nos era dado apreciar, ousei dirigir-me
discretamente a Gúbio, indagando:

_ Não nos achamos diante de autentica manifestação espiritista?

_ Sim - confirmou em tom grave - à frente de legítimo fenômeno dentro
do qual uma individualidade encarnada recebe os pareceres de outra,
ausente do envoltório carnal. Entretanto, André, os companheiros de
ideal cristão, corporificados na Crosta da Terra, vão compreendendo
agora que o fenômeno em si é tão rebelde quanto o rio encachoeirado
que rola a esmo, sem comportas , sem disciplina. Jamais endossaremos
um Espiritismo dogmático e intolerante. É imprescindível, porém, que
o clima da prece, da renúncia edificante,, do espírito de serviço e
fé renovadora, através de padrões morais nobilitantes, constitua a
nota fundamental de nossas atividades no psiquismo transformador, a
fim de que nos encontremos, realmente, num serviço de elevação para o
Supremo Pai. Temos aqui um médium de possibilidades ricas e extensas
que, pelo simples comércio vulgar a que reduziu a movimentação de
suas faculdades, não acorda impressões construtivas naqueles que o
buscam. Pode ser um cooperador valiosos em certas circunstâncias, mas
não é o trabalhador ideal, suscetível de provocar o interesse dos
grandes benfeitores da Vida Superior. Estes não se animariam a
comprometer grandes instruções por intermédio de servidores, bem
intencionados embora, que não vacilam em vender as essências divinas
em troca de recursos amoedados da luta comum. O caminho da oração e
do sacrifício é, portanto, indispensável ainda a quantos se propõem a
dignificar a vida. A prece sentida aumenta o potencial radiante da
mente , dilatando-lhe as energias e enobrecendo-as, enquanto a
renúncia e a bondade educam a todos os que se lhes cercam da fonte,
enraizada no Sumo Bem. Não basta, dessa maneira, exteriorizar a força
mental de que todos somos dotados e mobilizá-la. É indispensável,
acima de tudo, imprimir-lhe direção divina. É por esta razão que
pugnamos pelo Espiritismo com Jesus, única fórmula de não nos
perdermos em ruinosa aventura.

(...)”

Questões para o início de nosso estudo:

01) O que é receptividade mental? Qual a importância da mente? Por que?

02) Qual a importância da força do pensamento?

03) O que é meditar? Qual sua finalidade? Por que fazê-lo?

04) A que tipo de mediunidade (do professor) o capítulo se refere? Justificar.

05) Qual a influência do médium sobre o intercâmbio entre os dois mundos? Há alguma recomendação especial para que o intercâmbio se dê? Qual? Por que? Justificar.

06) Qual deveria ser o papel da mediunidade ?

07) Comentar , à luz da Doutrina Espírita, as seguintes assertivas:

a) Fazer psiquismo – falou-me o instrutor, em voz quase imperceptível – é atividade comum, tão comum quanto qualquer outra. O essencial é desenvolver trabalho santificante


b) Vejamos a que calamidades fisiológicas podem os distúrbios da mente conduzir um homem

c) A memória é um disco vivo e milagroso. Fotografa as imagens de nossas ações e recolhe o som de quanto falamos e ouvimos... Por intermédio dela, somos condenados ou absolvidos, dentro de nós mesmos.

d) A jovem que proferia disparates, não falava por si. Fios tênues de energia magnética ligavam-lhe o cérebro à cabeça do irmão infeliz que se lhe mantinha à esquerda. Achava-se absolutamente controlada pelos pensamentos dele, à maneira de magnetizado e magnetizador. A doente ria sem propósito e conversava a esmo, reportando-se a projetos de vingança, com todas as caracterísitcas de idiotia e insconsciência.

e) O professor pôs-se imediatamente a combinar o preço do trabalho de que se encarregaria, exigindo adiantadamento de Gabriel significativo pagamento. O intercâmbio ali, entre as duas esferas, se resumia a negócio tão comum quanto outro qualquer

f) colocou-se o vidente em profunda concentração e notei o fluxo de
energias a emanarem dele, através de todos os poros, mas muito particularmente da boca, das narinas, dos ouvidos e do peito. Aquela força, semelhante a vapor fino e sutil, como que povoava o ambiente acanhado e reparei que as individualidades de ordem primária ou retardatárias, que coadjuvavam o médium em suas incursões em nosso plano, sorviam-na a longos haustos, sustentando-se dela, quanto se nutre o homem comum de proteína, carboidratos e vitaminas.

Esta força não é patrimônio de privilegiados. É propriedade vulgar de todas as criaturas, mas entendem-na e utilizam-na somente aqueles que a exercitam através de acuradas meditações. É o "spiritus subtilíssimus" de Newton, o "fluido magnético" de Mesmer e a "emanação ódica" de Reichenbach. No fundo é a energia plástica da mente que a acumula em si mesma, tomando-a ao fluido universal em que todas as correntes da vida se banham e se refazem , nos mais diversos reinos da natureza, dentro do Universo. Cada ser vivo é um transformador dessa força, segundo o potencial receptivo e irradiante que lhe diz respeito.


g) Temos aqui um médium de possibilidades ricas e extensas que, pelo simples comércio vulgar a que reduziu a movimentação de suas faculdades, não acorda impressões construtivas naqueles que o buscam.

Bibliografia Sugerida:
- Leitura completa do capítulo XI do Livro Libertação
- LE (O Livro dos Espíritos): Parte primeira(Caps. II e IV); parte Segunda( Caps. I, VI e I
  Conclusão deste estudo 
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