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Predições do Evangelho: Juízo final (itens 62 a 67) (Estudo 128 de 136)

       

Juízo final

62. - Ora, quando o Filho do homem vier em sua majestade, acompanhado de todos os anjos, assentar-se-á no trono de sua glória; - e, reunidas à sua frente todas as nações, ele separará uns dos outros, como um pastor separa dos bodes as ovelhas,
e colocará à sua direita as ovelhas e à sua esquerda os bodes. - Então, dirá o Rei aos que estiverem à sua direita: Vinde, benditos de meu Pai, etc. (São Mateus, cap. XXV, vv. 31 a 46. - O Evangelho segundo o Espiritismo, cap. XV.)

63. - Tendo que reinar na Terra o bem, necessário é sejam dela excluídos os Espíritos endurecidos no mal e que possam acarretar-lhe perturbações. Deus permitiu que eles aí permanecessem o tempo de que precisavam para se melhorarem; mas, chegado o momento em que, pelo progresso moral de seus habitantes, o globo terráqueo tem de ascender na hierarquia dos mundos, interdito será ele, como morada, a encarnados e desencarnados que não hajam aproveitado os ensinamentos que uns
e outros se achavam em condições de aí receber. Serão exilados para mundos inferiores, como o foram outrora para a Terra os da raça adâmica, vindo substituí-los Espíritos melhores. Essa separação, a que Jesus presidirá, é que se acha figurada por estas palavras sobre o juízo final: «Os bons passarão à minha direita e os maus à minha esquerda.» (Cap. XI, nos 31 e seguintes.)

64. - A doutrina de um juízo final, único e universal, pondo fim para sempre à Humanidade, repugna à razão, por implicar a inatividade de Deus, durante a eternidade que precedeu à criação da Terra e durante a eternidade que se seguirá à sua destruição. Que utilidade teriam então o Sol, a Lua e as estrelas que, segundo a Gênese, foram feitos para iluminar o mundo? Causa espanto que tão imensa obra se haja produzido para tão pouco tempo e a beneficio de seres votados de antemão, em sua maioria, aos suplícios eternos.

65. - Materialmente, a idéia de um julgamento único seria, até certo ponto, admissível para os que não procuram a razão das coisas, quando se cria que a Humanidade toda se achava concentrada na Terra e que para seus habitantes fora feito tudo o que
o Universo contém. É, porém, inadmissível, desde que se sabe que há milhares de milhares de mundos semelhantes, que perpetuam as Humanidades pela eternidade em fora e entre os quais a Terra é dos menos consideráveis, simples ponto imperceptível.

Vê-se, só por este fato, que Jesus tinha razão de declarar a seus discípulos: «Há muitas coisas que não vos posso dizer, porque não as compreenderíeis», dado que o progresso das ciências era indispensável para uma interpretação legítima de algumas de suas palavras. Certamente, os apóstolos S. Paulo e os primeiros discípulos teriam estabelecido de modo muito diverso alguns dogmas se tivessem os conhecimentos astronômicos, geológicos, físicos, químicos, fisiológicos e psicológicos que hoje possuímos. Daí vem o ter Jesus adiado a completação de seus ensinos e anunciado que todas as coisas haviam de ser restabelecidas.

66. - Moralmente, um juízo definitivo e sem apelação não se concilia com a bondade infinita do Criador, que Jesus nos apresenta de contínuo como um bom Pai, que deixa sempre aberta uma senda para o arrependimento e que está pronto sempre a estender os braços ao filho pródigo. Se Jesus entendesse o juízo naquele sentido, desmentiria suas próprias palavras.

Ao demais, se o juízo final houvesse de apanhar de improviso os homens, em meio de seus trabalhos ordinários, e grávidas as mulheres, caberia perguntar-se com que fim Deus, que não faz coisa alguma inútil ou injusta, faria nascessem crianças e criaria almas novas naquele momento supremo, no termo fatal da Humanidade. Seria para submetê-las a julgamento logo ao saírem do ventre materno, antes de terem consciência de si mesmas, quando, a outros, milhares de anos foram concedidos para se inteirarem do que respeita à própria individualidade? Para que lado, direito ou esquerdo, iriam essas almas, que ainda não são nem boas nem más e para as quais, no entanto, todos os caminhos de ulterior progresso se encontrariam desde então fechados, visto que a Humanidade não mais existiria? (Cap. II, nº 19.)

Conservem-nas os que se contentam com semelhantes crenças; estão no seu direito e ninguém nada tem que dizer a isso; mas, não achem mau que nem toda gente partilhe delas.

67. - O juízo, pelo processo da emigração, conforme ficou explicado acima (nº 63), é racional; funda-se na mais rigorosa justiça, visto que conserva para o Espírito, eternamente, o seu livre-arbítrio; não constitui privilégio para ninguém; a todas as suas criaturas, sem exceção alguma, concede Deus igual liberdade de ação para progredirem; o próprio aniquilamento de um mundo, acarretando a destruição do corpo, nenhuma interrupção ocasionará à marcha progressiva do Espírito. Tais as conseqüências da pluralidade dos mundos e da pluralidade das existências.

Segundo essa interpretação, não é exata a qualificação de juízo final, pois que os Espíritos passam por análogas fieiras a cada renovação dos mundos por eles habitados, até que atinjam certo grau de perfeição. Não há, portanto, juízo final propriamente dito, mas juízos gerais em todas as épocas de renovação parcial ou total da população dos mundos, por efeito das quais se operam as grandes emigrações e imigrações de Espíritos.

QUESTÕES PARA ESTUDO

a) Como devemos interpretar as palavras de Jesus: "quando o Filho do homem vier em sua majestade, acompanhado de todos os anjos, assentar-se-á no trono de sua glória; - e, reunidas à sua frente todas as nações, ele separará uns dos outros, como
um pastor separa dos bodes as ovelhas, e colocará à sua direita as ovelhas e à sua esquerda os bodes"?

b) É possível conciliar a doutrina de um juízo final único com os atributos de Deus?

c) O que vem a ser, na realidade, o Juízo Final?
 
Predições do Evangelho: Juízo final (itens 62 a 67) - Conclusão Voltar ao estudo
 
C O N C L U S Ã O

Tendo que reinar na Terra o bem, necessário é sejam dela excluídos os espíritos endurecidos no mal e que possam acarretar-lhe perturbações. Essa separação, a que Jesus presidirá, é que se acha figurada por estas palavras sobre o juízo final: "Os bons passarão à minha direita e os maus à minha esquerda". A doutrina de um juízo final único e universal, pondo fim para sempre à Humanidade, repugna à razão, por implicar a inatividade de Deus, durante a eternidade que precedeu à criação da Terra e durante a eternidade que se seguirá à sua destruição.

QUESTÕES PROPOSTAS PARA ESTUDO

a) Como devemos interpretar as palavras de Jesus: "quando o Filho do homem vier em sua majestade, acompanhado de todos os anjos, assentar-se-á no trono de sua glória; - e, reunidas à sua frente todas as nações, ele separará uns dos outros, como um pastor separa dos bodes as ovelhas, e colocará à sua direita as ovelhas e à sua esquerda os bodes"?

R - Assim como os espíritos, os planetas também estão destinados à evolução, através do progresso moral e intelectual de sua humanidade. A Terra, em conseqüência desta determinação divina, terá que ascender na hierarquia dos mundos, deixando o estágio em que se encontra atualmente, de provas e de expiações, para se tornar um planeta de regeneração, destinado a
espíritos que já não perseverem no mal e cultivem o desejo de progredir moralmente.

Como vimos no estudo do capítulo XI, o movimento migratório de espíritos não se restringe ao limite da Terra. Do mesmo modo que se opera a renovação da população encarnada e desencarnada dentro do ambiente terreno, pelos nascimentos e mortes
dos corpos físicos, que é a rotina, também se efetua, individual ou coletivamente, movimentos migratórios entre os planetas. Esse movimento de chegada e partida coletiva de espíritos é determinado pela sabedoria divina, com a finalidade de acelerar a renovação da população de um planeta, introduzindo elementos espirituais mais depurados.

A predição de Jesus anunciando a vinda do "Filho do homem" para separar os bodes e as ovelhas, é uma figura que representa o processo de seleção dos espíritos que permanecerão na Terra, em sua nova situação. Aqueles que não hajam acolhido os seus ensinamentos e permanecerem endurecidos no mal não poderão continuar reencarnando na Terra, pois o seu atraso moral poderia acarretar perturbação à evolução do planeta. Tendo que reinar o bem, a eles será interdito aqui permanecerem, devendo ser exilados para mundos inferiores, compatíveis com seu nível de evolução moral, como o foram, outrora, os espíritos que vieram para formarem a raça adâmica. Esse processo de seleção, já iniciado, é presidido por Jesus, como ele anunciou: "Os bons passarão à minha direita e os maus à minha esquerda".

b) É possível conciliar a doutrina de um juízo final único com os atributos de Deus?

R - A doutrina de um juízo final único e universal, pondo fim à vida terrena e direcionando seus habitantes para o céu ou o inferno não se coaduna com os atributos da Divindade. Toda a obra de Deus, incluindo o Sol, a Lua e as estrelas, perder-se-ia.
Somente esta conseqüência já serviria para demonstrar o absurdo desta doutrina, formulada com base na idéia de que a vida no Universo se restringe à Terra. Admitindo-se, porém, que há um número incalculável em planetas a ela semelhantes em todo o Universo, destinados à habitação de espíritos e que a Terra é um dos menos consideráveis, evidenciada fica a incoerência desta doutrina.

Por outro lado, a idéia de um juízo definitivo, inapelável, que não dá oportunidade de reabilitação às suas criaturas, não se concilia com a bondade infinita de Deus, cujas leis soberanas sempre deixa aos homens a possibilidade do arrependimento e
da reparação. Além disso, como explica Kardec, esse juízo final único, qualquer que fosse a época de sua aplicação, apanharia
de surpresa a humanidade em meio à sua evolução, inclusive crianças, que seriam submetidas ao julgamento definitivo mal
saídas do ventre materno, sem sequer terem tido tempo suficiente para tomarem consciência de si mesmas e para praticarem
o bem ou o mal. Como poderiam ser julgadas, se ainda não eram boas nem más? Seriam colocadas à direita ou à esquerda?
A conclusão não pode ser outra se não a de que um juízo final único contraria toda noção que Jesus nos trouxe a respeito de Deus.

c) O que vem a ser, na realidade, o Juízo Final?

R - O julgamento predito por Jesus dá-se pelo processo de migração de espíritos, mais conforme a justiça e bondade de Deus
do que o juízo único e definitivo. Segundo Kardec, o próprio termo "juízo final" é impróprio, pois o julgamento predito por Jesus não é único nem definitivo, uma vez que os espíritos passam por idêntica situação inúmeras vezes, a cada renovação dos mundos por eles habitados, até atingirem o grau de perfeição que lhes é possível e ao qual foram destinados. Esclarece, ainda, Kardec, que não há, na realidade, um juízo final, mas juízos gerais em todas as épocas de renovação parcial ou total da população dos mundos, através dos quais se processam os movimentos migratórios de espíritos entre os planetas.
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