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Ressurreições (itens 37 a 40) (Estudo 108 de 136)

       

R E S S U R R E I Ç Õ E S

A filha de Jairo

37.- Tendo Jesus passado novamente, de barca, para a outra margem, logo que desembarcou, grande multidão
se lhe apinhou ao derredor. Então, um chefe desinagoga, cha mado Jairo, veio ao seu encontro e, ao aproximar-se
dele, se lhe lançou aos pés, - a suplicar com grande instância, dizendo: Tenho urna filha que está no momento
extremo; vem impor-lhe as mãos para a curar e lhe salvar a vida.

Jesus foi com ele, acompanhado de grande multidão, que o comprimia.

Quando Jairo ainda falava, vieram pessoas que lhe eram subordinadas e lhe disseram: Tua filha está morta; por
que hás de dar ao Mestre o incômodo de ir mais longe? - Jesus, porém, ouvindo isso, disse ao chefe da sinagoga:
Não te aflijas, crê apenas. - E a ninguém permitiu que o acompanhasse, senão a Pedro, Tiago e João, irmão de Tiago.

Chegando a casa do chefe da sinagoga, viu ele uma aglomeração confusa de pessoas que choravam e soltavam
grandes gritos. - Entrando, disse-lhes ele: Por que fazeis tanto alarido e por que chorais? Esta menina não está morta,
está apenas adormecida. - Zombavam dele. Tendo feito que toda a gente saísse, chamou o pai e mãe da menina e os
que tinham vindo em sua companhia e entrou no lugar onde a menina se achava deitada. - Tomou-lhe a mão e disse:
Talitha cumi, isto é: Minha filha, levanta-te, eu to ordeno. - No mesmo instante a menina se levantou e se pôs a
andar, pois contava doze anos, e ficaram todos maravilhados e espantados. (S. Marcos, cap. V, vv. 21 a 43.)

Filho da viúva de Naim

38.- No dia seguinte, dirigiu-se Jesus para uma cidade chamada Naim; acompanhavam-no seus discípulos e grande
multidão de povo. - Quando estava perto da porta da cidade, aconteceu que levavam a sepultar um morto, que era
filho único de sua mãe e essa mulher era viúva; estava com ela grande número de pessoas da cidade. - Tendo-a visto,
o Senhor se tomou de compaixão para com ela e lhe disse: Não chores. - Depois, aproximando-se, tocou o esquife e
os que o conduziam pararam. Então, disse ele: Mancebo, levanta-te, eu o ordeno. - Imediatamente, o moço se sentou
e começou a falar. E Jesus o restituiu à sua mãe.

Todos os que estavam presentes ficaram tomados de espanto e glorificavam a Deus, dizendo: Um grande profeta
surgiu entre nós e Deus visitou o seu povo. - O rumor desse milagre que ele fizera se espalhou por toda a Judéia e
por todas as regiões circunvizinhas. (S. Lucas, cap. VII, vv. 11 a 17.)

39.- Contrário seria às leis da Natureza e, portanto, milagroso, o fato de voltar à vida corpórea um indivíduo que se
achasse realmente morto. Ora, não há mister se recorra a essa ordem de fatos, para ter-se a explicação das
ressurreições que Jesus operou.

Se, mesmo na atualidade, as aparências enganam por vezes os profissionais, quão mais freqüentes não haviam de ser
os acidentes daquela natureza, num país onde nenhuma precaução se tomava contra eles e onde o sepultamento era
imediato (1). É, pois, de todo ponto provável que, nos dois casos acima, apenas síncope ou letargia houvesse. O próprio
Jesus declara positivamente, com relação à filha de Jairo: Esta menina, disse ele, não está morta, está apenas
adormecida.

Dado o poder fluídico que ele possuía, nada de espantoso há em que esse fluido vivificante, acionado por uma vontade
forte, haja reanimado os sentidos em torpor; que haja mesmo feito voltar ao corpo o espírito, prestes a abandoná-lo,
uma vez que o laço perispirítico ainda se não rompera definitivamente. Para os homens daquela época, que consideravam
morto o indivíduo desde que deixara de respirar, havia ressurreição em casos tais; mas, o que na realidade havia era rara
e não ressurreição, na acepção legítima do termo.

40.- A ressurreição de Lázaro, digam o que disserem, de nenhum modo infirma este princípio. Ele estava, dizem, havia
quatro dias no sepulcro; sabe-se, porém, que há letargias que duram oito dias e até mais. Acrescentam que já cheirava
mal, o que é sinal de decomposição. Esta alegação também nada prova, dado que em certos indivíduos há decomposição
parcial do corpo, mesmo antes da morte, havendo em tal caso cheiro de podridão. A morte só se verifica quando são
atacados os órgãos essenciais à vida. E quem podia saber que Lázaro já cheirava mal? Foi sua irmã Maria quem o disse.
Mas, como o sabia ela? Por haver já quatro dias que Lázaro fora enterrado, ela o supunha; nenhuma certeza, entretanto,
podia ter. (Cap. XlV, nº 29.)

("A Gênese", capítulo XV, itens 37 a 40)

QUESTÕES PARA ESTUDO

a) Como o Espiritismo pode explicar os episódios da filha de Jairo e do filho da viúva de Naim?

b) E quanto à "ressureição de Lázaro"?

c) As curas acima comentadas podem ser consideradas casos de "ressurreição"?

 
Ressurreições (itens 37 a 40) - Conclusão Voltar ao estudo
 
C O N C L U S Ã O

Milagroso, no sentido de ser contrário às leis da Natureza, seria o fato de voltar à vida corpórea uma pessoa que se achasse realmente morta. Não há, todavia, necessidade de se recorrer a essa ordem de fatos, para se encentrar a explicação das chamadas ressurreições operadas por Jesus. Conhecendo-se hoje o poder fluídico que Jesus possuía, nada de espantoso há em que esse fluido vivificante, acionado por uma vontade forte, haja reanimado os sentidos em torpor nos dois casos narrados neste item, fazendo mesmo voltar ao corpo o espírito que se encontrava prestes a abandoná-lo.Para os homens daquela época, que consideravam morto o indivíduo desde que deixara de respirar, havia ressurreição em tais casos e não cura, que foi o que na verdade aconteceu.

QUESTÕES PROPOSTAS PARA ESTUDO
a) Como o Espiritismo pode explicar os episódios da filha de Jairo e do filho da viúva de Naim?

R - Depois que os órgãos vitais deixam de funcionar, o fluido vital pára de circular no organismo físico, que falece, retornando o fluido vital à massa original de onde foi extraído para animar aquele corpo. A partir deste momento, não há mais como retornar o funcionamento do corpo. Hoje, com todo o progresso alcançado pela medicina terrena, muitas das vezes, a morte do corpo físico é apenas aparente, levando a equívoco os profissionais da área. Àquela época, mais freqüentemente deveriam ocorrer acidentes dessa natureza. Não se tomava nenhuma precaução para evitá-los e o sepultamento do corpo era realizado imediatamente após
a sua aparente morte.

É, portanto, de todo provável que, tanto no caso da filha de Jairo, como no do filho da viúva de Naim, tenha ocorrido semelhante acidente, mais precisamente um caso de letargia, quando o corpo fica inteiramente inerte e, até, há um começo de decomposição. Aliás, Jesus, desde logo, afirmou aos presentes, no caso da filha de Jairo: "esta menina não está morta, está apenas adormecida", contestando a impressão dos presentes, de que ela desencarnara.

Utilizando seu grande poder magnético, associado à forte vontade de curá-los, Jesus aplicou-lhes uma transfusão de fluido magnético, salutar, vivificante, reanimando os órgãos que se encontravam entorpecidos. Com isso, reativou a circulação do fluido
vital, mantendo preso ao corpo o espírito que se encontrava prestes a abandoná-lo, uma vez que os laços perispirituais ainda não se haviam rompido. Para o povo que então desconhecia determinadas leis naturais, desde que o indivíduo deixara de respirar era considerado morto. Como os que consideravam mortos retomaram a vida, a ação de Jesus foi interpretada como o milagre da ressurreição e não a cura, que, de fato, aconteceu.

b) E quanto à "ressurreição de Lázaro"?

R - No episódio da "ressurreição de Lázaro", as circunstâncias foram semelhantes aos da filha de Jairo e do filho da viúva de Naim. Diziam que Lázaro encontrava-se havia quatro dias no sepulcro e que, por isso, o seu retorno à vida teria sido um caso de ressurreição. Kardec explica, no entanto, que há casos de letargia em que o corpo físico permanece inerte por cerca de oito dias ou mais. O corpo de Lázaro já cheirava mal, narra o Evangelho, o que é sinal de decomposição. Todavia, em muitos casos de letargia, há a decomposição parcial do corpo antes da morte, o que provoca o cheiro de podridão. Esta circunstância, no entanto, não configura a morte do corpo físico, pois esta somente se verifica quando há a falência completa de órgãos essenciais à manutenção da vida. Além disso, Kardec destaca que nenhuma certeza poder-se-ia ter de que o corpo cheirava mal, uma vez que já se encontra sepultado havia quatro dias, não passando essa informação de uma suposição de Maria, sua irmã, que fez a afirmação.

c) As curas acima comentadas podem ser consideradas casos de "ressurreição"?

R - A ciência comprova ser impossível que o corpo físico volte a ter vida após a falência total de seus órgãos vitais. A lei de destruição, por outro lado, demonstra que os corpos orgânicos transformam-se, adquirindo novas formas e integrando novos corpos que surgem. Sendo assim, o corpo físico não poderá jamais readquirir vida após a sua morte, pois isso seria contrário às Leis Naturais. O Espiritismo ensina que, após a morte do corpo físico, o espírito o deixa e não mais pode retomá-lo, somente voltando à vida física em outro corpo, que nada tem a ver com o anterior, através da reencarnação

A questão da ressurreição não era corretamente compreendida à época de Jesus, como ainda acontece nos dias de hoje por parte de alguns segmentos religiosos. Assim, os episódios acima apontados são exemplos das inúmeras curas de enfermidades físicas operadas por Jesus, através de seu poder magnético, não podendo ser entendidos como casos de ressurreição. A ressurreição, para o Espiritismo, é o ressurgimento do espírito para a vida espiritual, após a morte do corpo físico.
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