Espiritismo Educação Recursos Ajuda Serviços
Estudos
Salas de Estudo      O Livro dos Espíritos      O Evangelho      A Gênese
O Livro dos Médiuns      Série André Luiz      Série Philomeno   Educar      Família      
Home > A Gênese
Obsessões e possessões (itens 45 a 49) (Estudo 100 de 136)

       

1.- A ação malfazeja dos maus espíritos que pululam em torno da Terra, em conseqüência da inferioridade moral de
seus habitantes, é um dos flagelos com que a humanidade se defronta. A obsessão, que é um dos efeitos dessa ação,
como as enfermidades e todas as atribulações da vida, deve, pois, ser considerada como provação ou expiação e aceita
com esse caráter.

2.- Chama-se obsessão à ação persistente que um espírito mau exerce sobre um indivíduo. Apresenta caracteres muito diferentes, que vão desde a simples influência moral, sem perceptíveis sinais exteriores, até a perturbação completa do organismo e das faculdades mentais. Ela obstrui todas as faculdades mediúnicas. Na mediunidade psicográfica e na
audiente, traduz-se pela obstinação de um Espírito em querer manifestar-se, com exclusão de qualquer outro.

3.- Assim como as enfermidades físicas tornam o corpo acessível às perniciosas influências exteriores, a obsessão
decorre sempre de uma imperfeição moral, que dá ascendência a um espírito mau. A uma causa física, opõe-se uma
força física; a uma causa moral preciso é se contraponha uma força moral. Para preservar-se das enfermidades físicas,
fortifica-se o corpo; para garanti-la contra a obsessão, tem-se que fortalecer a alma. O obsidiado necessita de trabalhar
por melhorar a si próprio, o que, geralmente, basta para livrá-lo do obsessor. Quando, porém, a obsessão degenera em subjugação e em possessão, porque nesse caso o paciente não raro perde vontade e o livre-arbítrio, impõe-se o auxílio
de terceiros.

4.- Quase sempre a obsessão exprime vingança tomada por um espírito e cuja origem freqüentemente se encontra nas
relações que o obsidiado manteve com o obsessor, em precedente existência. Nos casos de obsessão grave, o obsidiado
fica como que envolto e impregnado de um fluido pernicioso, que neutraliza a ação dos fluidos salutares e os repele. É
daquele fluido que importa desembaraçá-lo.

5.- Não podendo um fluído mau ser eliminado por outro igualmente mau, preciso se faz expelir um fluido mau com o
auxílio de um fluido melhor. Cumpre, sobretudo, atuar sobre o ser inteligente obsessor, ao qual é preciso se falar com
autoridade, que, entretanto, falece a quem não tenha superioridade moral. Quanto maior esta for, tanto maior também
será aquela. Para assegurar a libertação da vítima, indispensável se torna, também, que o espírito perverso seja levado
a renunciar aos seus maus desígnios, fazendo com que se arrependa e deseje o bem. Isso se dá por meio de instruções habilmente ministradas, em evocações particularmente feitas com o objetivo de dar-lhe educação moral.

6.- O trabalho se torna mais fácil quando o obsidiado, compreendendo a sua situação, para ele concorre com a vontade
e a prece. Outro tanto não sucede quando, seduzido pelo espírito que o domina, se ilude com relação às qualidades
deste último e se compraz no erro a que é conduzido, porque, então, longe de a secundar, o obsidiado repele toda
assistência. É o caso da fascinação, infinitamente mais rebelde sempre, do que a mais violenta subjugação.

7.- Na obsessão, o espírito atua exteriormente, com a ajuda do seu perispírito, que ele identifica com o do encarnado,
ficando este afinal enlaçado por uma como teia e constrangido a proceder contra a sua vontade. Na possessão, em vez
de agir exteriormente, o espírito atuante se substitui, por assim dizer, ao espírito encarnado. Toma-lhe o corpo para
domicílio, temporariamente, pois um espírito desencarnado não pode tomar definitivamente o lugar de um encarnado.

8.- De posse momentânea do corpo do encarnado, o espírito se serve dele como se seu próprio fora: fala pela sua boca,
vê pelos seus olhos, opera com seus braços, conforme o faria se estivesse vivo. Não é como na mediunidade
falante, em que o espírito encarnado fala transmitindo o pensamento de um desencarnado. No caso da possessão é o
desencarnado que fala e obra.

9.- Na obsessão há sempre um espírito malfeitor. Na possessão, pode se dar de um espírito bom que queira falar e que,
para causar maior impressão nos ouvintes, toma do corpo de um encarnado, que voluntariamente o empresta. Isso se
verifica sem qualquer perturbação ou incômodo, durante o tempo em que o espírito encarnado se acha em liberdade,
como no estado de emancipação, conservando-se este último ao lado do seu substituto para ouvi-lo.

10.- Quando é mau o espírito possessor, ele não toma moderadamente o corpo do encarnado, arrebata-o, se este não
possui bastante força moral para lhe resistir. Fá-lo por maldade para com este, a quem tortura e martiriza de todas as
formas, indo ao extremo de tentar exterminá-lo. Servindo-se dos órgãos e dos membros do infeliz paciente, blasfema,
injuria e maltrata os que o cercam, entrega-se a excentricidades e a atos que apresentam todos os caracteres da
loucura furiosa.

11.- São as mais das vezes individuais a obsessão e a possessão; mas, não raro são epidêmicas. Quando sobre uma
localidade se lança uma revoada de maus espíritos, é como se uma tropa de inimigos a invadisse. Pode, então, ser
muito considerável o número dos indivíduos atacados.


QUESTÕES PARA ESTUDO

a) O que é a obsessão e qual a maneira que Kardec recomenda de evitá-la?

b) Qual a orientação de Kardec para combater uma obsessão já instalada?

c) Como podemos definir o fenômeno da possessão?

d) Quais as suas principais características?

e) Qual a diferença entre a possessão e a obsessão?
 
Obsessões e possessões (itens 45 a 49) - Conclusão Voltar ao estudo
 
C O N C L U S Ã O

A obsessão se constitui um dos flagelos com que a humanidade se defronta e é um dos efeitos da ação malfazeja dos maus espíritos que habitam em torno da Terra, em conseqüência da inferioridade moral de seus habitantes. Quase sempre, a obsessão exprime vingança tomada por um espírito e cuja origem freqüentemente se encontra nas relações que o obsidiado manteve com
o obsessor, em precedente existência. Na possessão, em vez de agir exteriormente, o espírito atuante se substitui, por assim dizer, ao espírito encarnado. Toma-lhe o corpo para domicílio, temporariamente, pois um espírito desencarnado não pode tomar definitivamente o lugar de um encarnado.

QUESTÕES PROPOSTAS PARA ESTUDO

a) O que é a obsessão e qual a maneira que Kardec recomenda de evitá-la?

R - Kardec define a obsessão como a influência que um espírito mau, desses que permanecem em torno da Terra, resultado da inferioridade moral de sua humanidade, exerce sobre outro, agindo persistentemente neste sentido. Como as enfermidades físicas e todas as atribulações da vida, deve ser considerada uma prova ou uma expiação. Quando instalada, obstrui a faculdade mediúnica, pela obstinação do espírito obsessor em querer se manifestar, com a exclusão de qualquer outro. Apresenta caracteres diversos, que vão desde a simples influência moral, sem sinais exteriores até a perturbação completa dos organismos físico e mental. Na maioria das vezes, é conseqüência de relações conflituosas do passado, entre as partes envolvidas.

Do mesmo modo que os males que acometem o corpo físico resultam das imperfeições que o torna acessível às doenças, a obsessão decorre sempre de uma imperfeição moral da vítima, que dá ascendência a um mau espírito. Como na enfermidade física é preciso opor-se uma força física, a uma enfermidade moral há que se contrapor uma força moral. Assim, para se evitar a obsessão, Kardec recomenda fortalecer o espírito, através do trabalho para melhorar a si próprio, evitando a ascendência de um mau espírito.

b) Qual a orientação de Kardec para combater uma obsessão já instalada?

R - O combate ao processo obsessivo varia de conformidade com o seu grau de intensidade. Nos casos de obsessão simples, Kardec entende que a transformação moral do obsediado é o necessário para afastar o o obsessor. Porém, nos casos de obsessão grave, em que a ação do obsessor é mais intensa, a vítima fica impregnada de um fluido pernicioso com que o mau espírito a envolve, neutralizando os fluidos salutares. Como vimos em estudo anterior, para eliminar a ação de um mau fluido é preciso envolver o indivíduo com um fluido melhor, por meio da ação de um médium curador. No entanto, esclarece, ainda, o Codificador, nem sempre esta ação mecânica é suficiente. Muitas das vezes, faz-se necessário atuar sobre o espírito obsessor, falando-lhe com autoridade moral, de modo a levá-lo a renunciar seus maus desígnios e fazendo-o chegar ao arrependimento, despertando-lhe o desejo do bem.

Kardec explica que se torna mais fácil o combate à obsessão quando o obsediado compreende a sua situação e imprime sua vontade para afastar a influência do mau espírito. Quando, todavia, deixa-se seduzir pelo espírito que o domina, iludindo-se com relação às qualidades deste último e permitindo ser por ele conduzido, o obsidiado repele toda assistência. É o que ocorre nos casos de fascinação. Qualquer que seja o tipo de obsessão, "a prece é o mais poderoso meio de que se dispõe para demover
de seus propósitos maléficos o obsessor", conclui.

c) Como podemos definir o fenômeno da possessão?

R - A possessão é uma forma de obsessão grave, em que o espírito obsessor age sobre o corpo físico de outro como se nele estivesse encarnado. O espírito agressor como que substitui temporariamente ao encarnado, tomando-lhe o corpo e dele se utilizando como se fosse seu. Como a obsessão, na maioria das vezes dá-se individualmente. Mas, não raro, pode apresentar características de uma epidemia, quando sobre uma localidade se lança uma coletividade de maus espíritos, como se uma tropa de inimigos a invadisse, hipótese em que podem ser muitas a pessoas atacadas.

d) Quais as suas principais características?

R - A possessão é sempre temporária e intermitente, pois um espírito desencarnado não pode tomar definitivamente o lugar de um encarnado, pela razão de que a união molecular do perispírito e do corpo só se pode operar no momento da concepção. O espírito obsidiado não abandona definitivamente o corpo, pois isto somente ocorre no momento da morte. Mas a sua vontade é subjugada, praticamente já não existindo e passa a obedecer cegamente ao possessor. O espírito obsessor fala pela sua boca, vê pelos seus olhos e comanda todos os movimentos do corpo. Quem conheceu o obsessor em vida, reconhece sua linguagem, sua voz, seus gestos e sua expressão fisionômica.

e) Qual a diferença entre a possessão e a obsessão?

R - Na obsessão, a ação do espírito é externa, com a ajuda do seu perispírito, que ele identifica com o do encarnado. Forma-se um laço fluídico que os une e por meio do mal o obsessor exerce influência maligna sobre a vítima, constrangendo-a e impondo a sua vontade. Na possessão, em vez de agir exteriormente, o espírito possessor age diretamente sobre o corpo físico do possuído, substituindo-se, por assim dizer, ao espírito encarnado. Nos casos de obsessão, a intenção é sempre de causar danos ao obsediado, ao passo que, na possessão, pode ocorrer a ação de um espírito bom, que, para causar maior impressão nos ouvintes, toma o corpo de um encarnado para se manifestar. Como a natureza da ação é boa e com o consentimento do encarnado, que concorda com esse empréstimo temporário, o espírito encarnado nada sofre, ficando em liberdade, como acontece nos estados de emancipação da alma.

Entretanto, quando é mau o espírito possessor, não toma moderadamente o corpo do encarnado. Ao contrário, arrebata-o, se este não possui bastante força moral para lhe resistir, fazendo-o por maldade e o martirizando de todas as formas. Pode chegar ao ponto de tentar exterminá-lo. Muitas das vezes serve-se do corpo do obsediado para blasfemar, injuriar e maltratar os que o cercam. Entregam-se a excentricidades e a atos que caracterizariam loucura.

1998-2018 | CVDEE - Centro Virtual de Divulgação e Estudo do Espiritismo