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Vista espiritual ou psíquica. Dupla vista. Sonambulismo. Sonhos (itens 22 a 28) (Estudo 95 de 136)

       

1.- Sendo o perispírito o traço de união entre a vida corpórea e a vida espiritual, é por seu intermédio que o espírito
encarnado se acha em relação com os desencarnados. É o órgão sensitivo do Espírito, por meio do qual este percebe
coisas espirituais que escapam aos sentidos corpóreos. Por seu intermédio, operam-se no homem fenômenos
especiais, cuja causa fundamental não se encontra na matéria tangível e que, por essa razão, parecem sobrenaturais.

2.- É nas propriedades e nas irradiações do fluido perispirítico que se tem de procurar a causa da dupla vista, também
chamada vista espiritual ou vista psíquica, da qual muitas pessoas são dotadas, freqüentemente a seu mau grado,
assim como da vista sonambúlica. Pelos órgãos do corpo, as diversas sensações são localizadas, limitadas às coisas
materiais; pelo sentido espiritual ou psíquico, elas se generalizam. O espírito vê, ouve e sente, por todo o seu ser, tudo
o que se encontra na esfera de irradiação do seu fluido perispirítico.

3.- Embora durante a vida o espírito se encontre preso ao corpo pelo perispírito, não se lhe acha tão escravizado que
não possa alongar a cadeia que o prende e transportar-se a um ponto distante, quer sobre a Terra, quer do espaço.
Tem-se, então, o fenômeno a que se dá o nome de emancipação da alma, fenômeno que se produz sempre durante o
sono. De todas as vezes que o corpo repousa, que os sentidos ficam inativos, o espírito se desprende, passando a
viver a vida espiritual, enquanto que o corpo vive apenas da vida vegetativa.

4.- Enquanto o corpo vive, o espírito, a qualquer distância que esteja, é instantaneamente chamado à sua prisão,
desde que a sua presença aí se torne necessária. Ele, então, retoma o curso da vida exterior de relação. Por vezes, ao
ao despertar, conserva das suas peregrinações uma lembrança, uma imagem mais ou menos precisa, que constitui o
sonho. Quando nada, traz delas intuições que lhe sugerem idéias e pensamentos novos. Assim igualmente se explicam
certos fenômenos característicos do sonambulismo natural e magnético, da catalepsia, da letargia, do êxtase, etc.,

5.- Não se operando a visão espiritual por meio dos olhos do corpo, a percepção das coisas não se verifica mediante a
luz material, feita para o mundo material. Para o mundo espiritual, há uma luz especial , cuja natureza desconhecemos,
que é uma das propriedades do fluido etéreo, adequada às percepções visuais da alma. A luz material emana de focos circunscritos aos corpos luminosos; a espiritual tem o seu foco em toda parte, daí por que não há obstáculo para a visão espiritual, para a qual não há obscuridade, não podendo ser embaraçada pela distância nem pela opacidade da matéria.

6.- A vista espiritual não é idêntica, quer em extensão, quer em penetração, para todos os espíritos, manifestando-se
em diferentes graus. Somente os espíritos puros a possuem em todo o seu poder. Nos inferiores ela se acha enfraquecida
pela relativa grosseria do perispírito, que se lhe interpõe qual nevoeiro.

7.- Nos espíritos encarnados, a vista espiritual, segundo o grau de desenvolvimento do espírito, pode facultar, quer durante
o sono, quer no estado de vigília: 1º - a percepção de certos fatos materiais que ocorram a grande distância, os detalhes
descritivos de uma localidade, as causas de uma enfermidade e os remédios convenientes; 2° - a percepção de coisas
reais do mundo espiritual, como a presença de espíritos; 3° - imagens fantásticas criadas pela imaginação, análogas às
criações fluídicas do pensamento.

8.- É assim que o pensamento de pessoas fortemente imbuídas de certas crenças religiosas e com elas preocupadas
lhes apresenta o inferno, suas fornalhas, suas torturas e seus demônios, tais quais essas pessoas os imaginam. Se, ao
despertarem ou ao saírem do êxtase, conservam lembrança exata de suas visões, os que as tiveram tomam-nas como
realidades confirmativas de suas crenças, quando tudo não passa de produto de seus próprios pensamentos. Cumpre,
pois, se faça uma distinção muito rigorosa nas visões extáticas, antes que se lhes dê crédito. A tal propósito, o remédio
para a excessiva credulidade é o estudo das leis que regem o mundo espiritual.

9.- Os sonhos propriamente ditos apresentam os três caracteres das visões acima descritas. Os sonhos de previsões, pressentimentos e avisos pertencem às duas primeiras categorias. Na terceira, nas criações fluídicas do pensamento,
encontra-se a causa de certas imagens fantásticas, que nada têm de real, mas que apresentam para o Espírito, uma
impressão de realidade. Podem essas criações ser provocadas pela exaltação das crenças, por lembranças
retrospectivas, por gostos, desejos, paixões, temor, remorsos; pelas preocupações habituais, pelas necessidades do
corpo, por um embaraço nas funções do organismo ou por outros espíritos, com objetivo benévolo ou maléfico, conforme
a sua natureza.


QUESTÕES PARA ESTUDO

a) Como podemos definir a dupla vista? É um fenômeno anímico ou mediúnico?

b) Qual a função do perispírito na manifestação dos fenômenos espirituais?

c) Como o Espiritismo explica os fenômenos do sonambulismo e do sonho?

d) Qual a explicação para o fato da dupla vista não se manifestar da mesma forma em todos os espíritos?

e) Segundo o Espiritismo, que circunstâncias podem originar os sonhos?


 
Vista espiritual ou psíquica. Dupla vista. Sonambulismo. Sonhos (itens 22 a 28) - Conclusão Voltar ao estudo
 
C O N C L U S Ã O

Os fenômenos conhecidos como dupla vista - também chamada vista espiritual ou vista psíquica, sonambulismo e sonhos têm sua origem nas propriedades e nas irradiações do fluido perispirítico. Embora durante a encarnação se encontre preso ao corpo físico pelo perispírito, o espírito não se acha a ele circunscrito, irradiando por toda a parte e dele se desprendendo, no fenômeno conhecido como emancipação da alma. A dupla vista pode se manifestar com o corpo físico em vigília ou durante o sono. O sonambulismo e os sonhos manifestam-se nos períodos de emancipação do espírito, durante o sono físico.


QUESTÕES PROPOSTAS PARA ESTUDO

a) Como podemos definir a dupla vista?

R - Embora, durante a vida corpórea, o espírito se encontre preso ao corpo físico pelo perispírito, ele não se acha impedido de irradiar à sua volta, podendo, inclusive, transportar-se a um ponto distante do espaço, até mesmo além da Terra. A dupla vista é um fenômeno anímico, ou seja, que se manifesta pela própria alma, espírito encarnado, sem a interferência de desencarnados. Podemos defini-la como um fenômeno que ocorre tanto em estado de vigília como durante o sono ou o sonambulismo. Por esse fenômeno, o espírito vê, não pelos olhos do corpo físico, mas pela visão do espírito, pelo seu sentido psíquico ou espiritual. Percebe imagens por toda a parte para onde se irradia e vê o que o indivíduo comum não consegue. Pode ver o mundo material e o espiritual em um outro local distante de onde se encontra o seu corpo físico ou, até, em outra época.

b) Qual a importância do perispírito na manifestação dos fenômenos espirituais?

R - Como explica Kardec, o perispírito é o traço de união entre a vida corpórea e a vida espiritual. É o órgão sensitivo do espírito, por meio do qual este percebe coisas espirituais que escapam aos sentidos corpóreos. Os fenômenos espirituais não se operam através da matéria tangível, cujas propriedades permitem ao homem perceber tão somente as coisas materiais. Assim, o perispírito, irradiando fluidos cujas propriedades têm a mesma natureza dos fluidos do mundo espiritual, dentre outras funções, tem a de colocar o espírito encarnado em relação com o mundo espiritual, operando-se, por seu intermédio, todos os fenômenos espirituais que conhecemos e cuja causa fundamental não se encontra na matéria tangível .

c) Como o Espiritismo explica os fenômenos do sonambulismo e do sonho?

R - Embora se encontre preso ao corpo físico por laços fluídicos que somente se desfazem por ocasião da extinção total da energia vital, o espírito tem a faculdade de se desprender, parcial e temporariamente, de seu organismo material. É o fenômeno
a que se dá o nome de "emancipação da alma". Todas as vezes que o corpo físico dorme, seus sentidos permanecem inativos
e o espírito se desprende, passando a viver, nesses momentos, a vida espiritual, como se achará após a morte. Enquanto o corpo fica em vida vegetativa, o espírito pode ir ao encontro de outros afins, desencarnados ou encarnados também emancipados pelo sono físico. O sonambulismo se dá através dessa emancipação do espírito, sendo um sono em grau mais profundo, que pode ser provocado natural ou magneticamente.

Quanto aos sonhos, resultam da impressão que o espírito guardar desses momentos de desprendimento do corpo físico. É a lembrança, mais ou menos precisa, através da imagem, do que o espírito viu, pelo que nem sempre guarda relação com a realidade. Quase sempre, o espírito, ao despertar, traz dessas lembranças algumas intuições, que lhe sugerem idéias e pensamentos novos.

d) Qual a explicação para o fato da dupla vista não se manifestar da mesma forma em todos os espíritos?

R - A manifestação do fenômeno de dupla vista pode variar conforme o grau de evolução do espírito no qual se manifeste. Como nem todos os espíritos encontram-se no mesmo grau evolutivo, este fenômeno manifesta-se diferentemente em cada ser. Quanto mais puro e evoluído for o espírito, seu perispírito é menos denso, mais sutilizado, permitindo que a faculdade da dupla vista tenha um grau de poder mais desenvolvido, com maior lucidez. Nos espíritos inferiores, face ao maior grau de densidade de seu perispírito, essa faculdade se manifesta enfraquecida, como que encoberta por um nevoeiro.

e) Segundo a explicação de Kardec, que circunstâncias podem originar os sonhos?

R - Kardec resumiu em três as categorias, conforme o tipo de percepção, as circunstâncias que podem originar os sonhos: 1º - percepção de certos fatos materiais que ocorram a grande distância, os detalhes descritivos de uma localidade, as causas de uma enfermidade e os remédios convenientes; 2° - percepção de coisas reais do mundo espiritual, como a presença de espíritos; 3° - imagens fantásticas, criadas pela imaginação, análogas às criações fluídicas do pensamento. Estas criações se acham sempre em relação com as disposições morais do espírito

Nas duas primeiras circunstâncias, encontram-se os sonhos que guardam relação com a realidade. São os sonhos de previsões, de pressentimentos e de avisos. Na terceira, estão os sonhos que nada têm de real e que resultam da realidade criada pelo espírito. Podem essas criações ser provocadas pela exaltação das crenças, por lembranças retrospectivas, por gostos, desejos, paixões, temor ou remorsos; pelas preocupações habituais; pelas necessidades do corpo, ou por um embaraço nas funções do organismo; ou, finalmente, por outros Espíritos, com objetivo benévolo ou maléfico, conforme a sua natureza. É a categoria de sonhos de que se ocupa a ciência terrena.

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