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Faz Deus milagres? (itens 15 a 17) (Estudo 89 de 136)

       

R E S U M O


1.- Quanto aos milagres propriamente ditos, Deus, visto que nada lhe é impossível, pode fazê-los. Mas, fá-los? Ou, por
outras palavras; derroga as leis que dele próprio emanaram? Por que, então, faria milagres? Para atestar o seu poder,
dizem. Mas, o poder de Deus não se manifesta de maneira muito mais imponente pelo grandioso conjunto das obras da
criação, pela sábia previdência que essa criação revela e pela harmonia das leis que regem o mecanismo do Universo,
do que por algumas pequeninas e pueris derrogações que todos os prestímanos sabem imitar?

2.- Não é, pois, da alçada do Espiritismo a questão dos milagres. Mas, ponderando que Deus não faz coisas inúteis, ele
emite a seguinte opinião: não sendo necessários os milagres para a glorificação de Deus, nada no Universo se produz
fora do âmbito das leis gerais. Deus não faz milagres, porque, sendo, como são, perfeitas as suas leis, não lhe é
necessário derrogá-las. Se há fatos que não compreendemos, é que ainda nos faltam os conhecimentos necessários.

3.- Admitido que Deus houvesse alguma vez derrogado leis por ele estabelecidas, tais leis já não seriam imutáveis.
Mesmo sendo possível, ter-se- á, pelo menos, de reconhecer que só ele, Deus, dispõe desse poder. Se o espírito do mal
tem o poder de sustar o curso das leis naturais, que são obra de Deus, sem a permissão deste, mais poderoso é ele do
que a Divindade. Logo, Deus não possui a onipotência e se, como pretendem, delega poderes a Satanás, para mais
facilmente induzir os homens ao mal, falta-lhe a soberana bondade. Em ambos os casos, há negação de um dos
atributos sem os quais Deus não seria Deus.

4.- Daí vem a Igreja distinguir os bons milagres, que procedem de Deus, dos maus milagres, que procedem de Satanás.
Mas, como diferençá-los? Seja satânico ou divino um milagre, haverá sempre uma derrogação de leis emanadas de Deus.
Reconhecida a possibilidade de alguns fatos considerados miraculosos, há-se de concluir que, seja qual for a origem que
se lhes atribua, eles são efeitos naturais de que se podem utilizar espíritos desencarnados ou encarnados.

5.- Mas, a religião, dizem, se apóia em fatos que não são explicados nem explicáveis. Inexplicados, talvez; inexplicáveis,
não. Que sabe o homem das descobertas e dos conhecimentos que o futuro lhe reserva? Sem falar do milagre da criação,
não vemos reproduzirem-se hoje, sob o império do magnetismo, do sonambulismo e do Espiritismo, os êxtases, as visões,
as aparições, as percepções a distância, as curas instantâneas, as suspensões, as comunicações orais e outras com os
seres do mundo invisível? São fenômenos conhecidos desde tempos imemoráveis, tidos outrora por maravilhosos e que, presentemente, se demonstra pertencerem à ordem das coisas naturais, de acordo com a lei constitutiva dos seres.

6.- Os livros sagrados estão cheios de fatos desse gênero, qualificados de sobrenaturais, como outros análogos e ainda
mais maravilhosos se encontram em todas as religiões pagãs da antigüidade. Se a veracidade de uma religião dependesse
do número e da natureza de tais fatos, não se saberia dizer qual a que devesse prevalecer.


QUESTÕES PARA ESTUDO


a) Afinal, faz Deus milagres?

b) Os chamados milagres seriam compatíveis com os atributos de Deus?

c) Poderiam as religiões sobreviverem sem os chamados milagres?

 
Faz Deus milagres? (itens 15 a 17) - Conclusão Voltar ao estudo
 
Os milagres, no sentido teológico que a palavra vem sendo empregada, não são necessários para atestar o poder de
Deus. O poder Divino se manifesta de maneira muito mais imponente pelo grandioso conjunto das obras que criou,
pela sábia previdência que essa criação revela e pela harmonia das leis que regem o mecanismo do Universo, do que
por algumas pequeninas e pueris derrogações de suas leis. Não sendo necessário para glorificá-lo, nada no Universo
se realiza fora do âmbito das leis naturais.


QUESTÕES PROPOSTAS PARA ESTUDO


a) Afinal, faz Deus milagres?

Vimos em estudo anterior que o significado do termo milagre vem sendo modificado no curso do tempo. Em sua
acepção original, significava algo admirável, coisa extraordinária, surpreendente. Neste sentido, sem dúvida nenhuma
que a resposta é sim. Toda a obra da criação é algo admirável, extraordinário, surpreendente. Todo o conjunto do
Universo, com seu mecanismo e harmonia perfeitos, incluindo os seres inteligentes e a matéria que lhe serve como
instrumento de evolução, são obras de inimaginável perfeição, que somente uma inteligência suprema poderia
arquitetar.

Todavia, o termo milagre passou a ser empregado pelos teólogos para definir o que eles não conseguiam explicar
através das leis naturais conhecidas. Tomou-se o termo como algo inexplicável, sobrenatural, uma derrogação das leis
da Natureza, o que seria uma demonstração do poder de Deus. Com o progresso da ciência, a origem de muitos
desses fenômenos de natureza puramente material, tidos como milagrosos, foi desvendada e explicada à luz de leis
naturais até então desconhecidas. Aqueles de natureza espiritual continuaram inexplicáveis, passando a ser acolhidos
pelos religiosos como "milagres".

Com o advento do Espiritismo, muitos desses fatos considerados contrários às leis naturais e, como tais, verdadeiros
milagres no sentido teológico, vieram a ser explicados pela atuação do espírito sobre o elemento material, o que, até
então, era ignorado tanto pelas religiões como pela ciência. O Espiritismo veio demonstrar que Deus manifesta o seu
poder não pela derrogação de suas leis, como pretendem os teólogos, mas por fazê-las cumprir. Sendo suas leis
justas, perfeitas e soberanas, como o seu Autor, não há por que contrariá-las. Entendendo-se no sentido que o termo
vem sendo utilizado, a conclusão racional é que Deus não faz milagre, simplesmente por não haver razão para o
fazer.


b) Os chamados milagres seriam compatíveis com os atributos de Deus?

Sendo as leis de Deus justas, perfeitas e soberanas, como o seu Criador, os milagres, no sentido teológico que vem
sendo empregado o termo, seriam a negação desses atributos da Divindade. Se admitirmos um Deus milagroso, a
todo momento violando suas próprias leis, ainda que no sentido do bem, como entendem as religiões, teríamos que
admitir um Universo gerido por uma força falível, mutante, com sua obra sempre sujeita a correção, o que causaria
uma instabilidade geral. O Universo não seria um cosmo, no sentido que originou a palavra, de ordem, disciplina,
organização, a ordem do universo. Seria, em verdade, um caos.


c) Poderiam as religiões sobreviverem sem os chamados milagres?

Veremos no próximo estudo a influência dos chamados milagres sobre as religiões dominantes. Podemos, porém,
desde logo, concluir que as religiões estariam muito mais fortalecidas e prestariam um serviço mais proveitoso à
humanidade se compreendessem a Divindade de uma forma racional, natural, sem misticismos. A exibição de
milagres tornou-se, como temos visto, um objeto de disputa para se saber qual a religião que deve prevalecer. Se
dependessem desses fatos para sobreviverem, como afirma Kardec, não seria possível saber-se qual a que deveria
prevalecer.

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