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Perda do paraíso - 3ª pte. (itens 23 a 26) (Estudo 85 de 136)

       

1.- O que para a Teologia constitui um beco sem saída, o Espiritismo explica, sem dificuldade e de maneira racional,
pela anterioridade da alma e pela pluralidade das existências, lei sem a qual tudo é mistério e anomalia na vida do
homem. Se admitirmos que Adão e Eva já tivessem vivido, tudo se justifica. Deus não lhes fala mais como a crianças,
mas como a seres em estado de o compreenderem, prova de que ambos trazem aquisições anteriormente realizadas.

2.- Admitamos que eles hajam vivido em um mundo mais adiantado e menos material do que o nosso, onde o trabalho
do espírito substituía o do corpo e que, por se haverem rebelado contra a lei de Deus, figurada na desobediência,
tenham sido afastados de lá e exilados, por punição, para a Terra, onde o homem, pela natureza do globo, é constrangido
a um trabalho corporal. Entenderemos, assim, que Deus tinha razão para dizer a Adão "no mundo onde, daqui em diante,
ides viver, cultivareis a terra e dela tirareis o alimento, com o suor da vossa fronte" e, a Eva, "parirás com dor", porque
tal é a condição desse mundo.

3.- O paraíso terrestre, cujos vestígios têm sido inutilmente procurados na Terra, era, por conseguinte, a figura do
mundo ditoso, onde vivera Adão, ou, antes, a raça dos espíritos que ele personifica. A expulsão do paraíso marca o
momento em que esses Espíritos vieram encarnar entre os habitantes da Terra e a mudança de situação foi a
conseqüência da expulsão. O anjo que, empunhando uma espada flamejante, veda a entrada do paraíso, simboliza a impossibilidade em que se acham os espíritos dos mundos inferiores de penetrar nos mundos superiores, antes que o
mereçam pela sua depuração.


4.- Diz a gênesis bíblica, no capítulo IV, vv. 12 a 16:

" Caim, depois do assassínio de Abel, responde ao Senhor: A minha iniqüidade é extremamente grande,
para que me possa ser perdoada. - Vós me expulsais hoje de cima da Terra e eu me irei ocultar da vossa
face. Irei fugitivo e vagabundo pela Terra e qualquer um então que me encontre matar-me-á. - O Senhor
lhe respondeu: "Não, isto não se dará, porquanto severamente punido será quem matar Caim. E o Senhor
pôs um sinal sobre Caim, a fim de que não o matassem os que viessem a encontrá-lo. Tendo-se retirado
de diante do Senhor, Caim ficou vagabundo pela Terra e habitou a região oriental do Éden. - Havendo
conhecido sua mulher, ela concebeu e pariu Henoch. Ele construiu (vaïehi bôné; literalmente: estava
construindo) uma cidade a que chamou Henoch (Enoquia) do nome de seu filho. "

5.- Se nos apegarmos à letra da Gênesis, eis as conseqüências a que chegaremos: quando Caim foi se estabelecer
a leste do Éden, somente havia na Terra três pessoas: seu pai e sua mãe, e ele, sozinho, de seu lado . Entretanto,
Caim teve mulher e um filho. Que mulher podia ser essa e onde pudera ele desposá-la? O texto hebreu diz: Ele
estava construindo cidade, o que indica ação presente e não ulterior. Mas, uma cidade pressupõe a existência de
habitantes, visto não ser de presumir que Caim a fizesse para si, sua mulher e seu filho, nem que a pudesse edificar
sozinho uma cidade.

6.- Dessa própria narrativa, portanto, tem-se de inferir que a região já era povoada. Não podia sê-lo pelos descendentes
de Adão, que então se reduziam a um só: Caim. Aliás, a presença de outros habitantes ressalta igualmente destas
palavras de Caim: "Serei fugitivo e vagabundo e quem quer que me encontre matar-me-á" e da resposta que Deus
lhe deu. Quem poderia ele temer que o matasse e que utilidade teria o sinal que Deus lhe pôs para preservá-lo de
ser morto, uma vez que ele a ninguém iria encontrar? Se havia na Terra outros homens afora a família de Adão, é que
esses homens aí estavam antes dele, donde se deduz esta conseqüência, tirada do texto mesmo da Gênese: Adão
não é nem o primeiro, nem o único pai do gênero humano.

Observação de Kardec: Não é nova esta idéia. La Peyrère, sábio teólogo do século dezessete, em seu livro Preadamitas, escrito
em latim e publicado em 1655, extraiu do texto original da Bíblia, adulterado pelas traduções, a prova evidente de que a Terra era
habitada antes da vinda de Adão e essa opinião é hoje a de muitos eclesiásticos esclarecidos.

7.- Eram necessários os conhecimentos que o Espiritismo ministrou acerca das relações do princípio espiritual com
o princípio material, da natureza da alma, da sua criação em estado de simplicidade e de ignorância, da sua união
com o corpo, da sua indefinida marcha progressiva através de sucessivas existências e através dos mundos, da sua
gradual libertação da influência da matéria, mediante o uso do livre-arbítrio, da causa dos seus pendores bons ou
maus e de suas aptidões, do fenômeno do nascimento e da morte, da situação do espírito na erraticidade e,
finalmente, do futuro como prêmio de seus esforços por se melhorar e da sua perseverança no bem, para que se
fizesse luz sobre todas as partes da gênese espiritual.

8.- Graças a essa luz, o homem sabe doravante donde vem, para onde vai, por que está na Terra e por que sofre.
Sabe que tem nas mãos o seu futuro e que a duração do seu cativeiro neste mundo depende unicamente dele.
Despida da alegoria acanhada e mesquinha, a Gênese se lhe apresenta grande e digna da majestade, da bondade
e da justiça do Criador. Considerada desse ponto de vista, ela confundirá a incredulidade e triunfará.


QUESTÕES PARA ESTUDO

a) Como o Espiritismo ajuda a entender as ameaças feitas pela Divindade a Adão e Eva, narradas na gênese moisaica?

b) O que seria, na realidade, a queda de Adão e Eva e a perda do paraíso, simbolizada na narrativa bíblica?
c) Segundo Allan Kardec, por que não poderia toda a população da Terra ser descendente de Adão?

d) Qual a contribuição do Espiritismo para uma melhor compreensão da narrativa bíblica da perda do paraíso?

 
Perda do paraíso - 3ª pte. (itens 23 a 26) - Conclusão Voltar ao estudo
 
O Espiritismo explica, sem dificuldade e de maneira racional, pela anterioridade da alma e pela pluralidade das
existências, o real sentido dos ensinamentos transmitidos na gênese moisaica. Admitindo-se que Adão e Eva já
tivessem vivido anteriormente ao seu aparecimento na Terra, tudo se justifica. O paraíso perdido não se encontra na
Terra, mas simboliza o mundo de onde os espíritos representados por Adão e Eva foram expulsos. A expulsão do
paraíso marca a chegada desses espíritos, que não foram os primeiros a habitarem o Planeta, pois o próprio Moisés
nos dá a notícia de outros habitantes. Os princípios revelados pelo Espiritismo quanto à imortalidade do espírito, às
vidas sucessivas, aos diferentes mundos habitados e à nossa busca incessante pela evolução espiritual, nos trouxe
a chave para o correto entendimento desta passagem bíblica.


QUESTÕES PROPOSTAS PARA ESTUDO


a) Como o Espiritismo ajuda a entender as ameaças feitas pela Divindade a Adão e Eva, narradas na gênese moisaica?

R - Kardec explica essas passagens pela anterioridade da alma e pela pluralidade das existências, sem as quais não se justificariam. Admitindo-se que Adão e Eva tenham vivido antes em um mundo mais adiantado e menos material que a Terra, onde a existência é mais de natureza espiritual do que corporal, entenderemos que o cultivo da terra e o parir com dor, ameaças feitas para o caso de desobediência às suas determinações, são condições comuns neste mundo, mas constituem punição para ambos, se consideradas as condições de existência do mundo de onde vieram.

b) O que seria, na realidade, a queda de Adão e Eva e a perda do paraíso, simbolizada na narrativa bíblica?

R - A alegoria da queda de Adão e Eva simboliza o processo de transmigração de espíritos entre as muitas moradas da casa do Pai. Adão e Eva representam uma coletividade de espíritos banidos de outro planeta, mais adiantado do que a Terra, que atingira um nível de evolução intelectual e moral que já não comportava a presença de espíritos ainda pouco adiantados, moralmente. Trata-se de um processo migratório que, de tempos em tempos, opera-se entre os planetas, com a partida e chegada de espíritos. Esses espíritos, simbolizados pelas figuras de Adão e de Eva, não acompanharam a evolução moral do orbe de onde vieram, sendo, por esse motivo, excluídos da sua humanidade, a fim de não perturbarem a felicidade dos bons. A figura da desobediência contida na gênese mosaica simboliza o descumprimento da lei de Deus, que motivou terem sido exilados para
a Terra, cujas condições de existência eram mais penosas. Para esses espíritos, o exílio representou uma queda e a perda do paraíso.

c) Segundo Allan Kardec, por que não poderia toda a população da Terra ser descendente de Adão?

R - Segundo a própria narrativa bíblica, ao ser expulso do Éden, Caim teve uma mulher e um filho, quando, na Terra, de acordo com Moisés, havia apenas duas pessoas, além dele: Adão e Eva. Que mulher poderia ser essa e onde pudera ele desposá-la? Por outro lado, estava ele construindo uma cidade, o que evidencia que havia outros habitantes na Terra, pois não faz sentido
que ele estivesse construindo sozinho uma cidade e apenas para si, sua mulher e o filho. Além desse fato, Caim manifestou receio de ser morto por quem o encontrasse, tendo a Divindade colocado nele um sinal, a fim de que os que viessem a encontrá-
-lo não o matassem. Se havia na Terra outros homens afora a família de Adão que pudessem matá-lo, é que esses homens aí estavam antes dele. Deste modo, da própria narrativa moisaica temos de concluir que a região era povoada e não podia o ser apenas pelos descendentes de Adão, que então se reduziam a Caim e que Adão não é o primeiro nem o único gerador do gênero humano.

d) Qual a contribuição do Espiritismo para uma melhor compreensão da narrativa bíblica da perda do paraíso?

R - O Espiritismo revelou a nossa natureza espiritual e o relacionamento entre os dois planos de vida. Esclareceu acerca da
nossa condição de simplicidade e ignorância a respeito das coisas ao sermos criados; que somos espíritos imortais em evolução, que, para chegarmos à felicidade do reino do céu prometida por Jesus, teremos que passar por sucessivas existências físicas nos inúmeros mundos que compõem o Universo; que, para tanto, somos dotados de livre-arbítrio, que nos faz os únicos responsáveis pela nossa trajetória evolutiva.

Entendidos esses princípios, fácil se torna compreender a narrativa moisaica da "perda do paraíso", com suas alegorias e simbolismos, necessários ao entendimento da humanidade da época. Vista sob este prisma, a Gênesis bíblica perde o seu caráter místico e fantasioso, que uma interpretação literal lhe atribui e que somente pode levar o homem à incredulidade. Entendido o real sentido de suas alegorias e de seus simbolismos, ela espelha a bondade e a justiça de Deus, que sempre concede oportunidade de reabilitação às suas criaturas. Sob essa nova ótica, o homem entende que dele depende a sua felicidade ou o seu sofrimento e que a duração de sua permanência neste mundo de dificuldades depende unicamente dele.

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