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Perda do paraíso - 2ª pte. (itens 18 a 21) (Estudo 84 de 136)

       

1.- A passagem que narra o passeio da Divindade pelo jardim é uma alegoria, pois o povo de então era incapaz de
conceber abstrações. Deus haveria de ter uma forma concreta, pois o povo somente conhecia o que se referia à
humanidade. Simboliza Deus a vigiar pessoalmente a sua criação.

2.- Se a falta de Adão consistisse em ter comido um fruto, ela não poderia justificar o rigor com que foi punida, pois teria
sido de natureza quase pueril. Não se pode tampouco admitir, racionalmente, o fato que geralmente se supõe (a relação
sexual havida entre Adão e Eva). Se o fosse, teríamos Deus a condenar sua própria obra, pois que ele criara o homem
para a propagação. Se Adão entendesse nesse sentido a proibição de tocar no fruto da árvore e com ela se houvesse conformado escrupulosamente, onde estaria a Humanidade e que teria sido feito dos desígnios do Criador?

3.- Deus não criou Adão e Eva para ficarem sós na Terra. A prova está nas próprias palavras que lhes dirige logo depois
de os ter formado, quando eles ainda estavam no paraíso terrestre: "Deus os abençoou e lhes disse: Crescei e multiplicai-
-vos, enchei a Terra e submetei-a ao vosso domínio." (Gênesis, cap. 1, 28.). Uma vez que a multiplicação era lei já no
paraíso terrestre, a expulsão deles dali não pode ter tido como causa o fato suposto. O que deu crédito a essa suposição
foi o sentimento de vergonha que Adão e Eva manifestaram ante o olhar de Deus e que os levou a se ocultarem. Mas,
essa própria vergonha é uma figura comparativa, simbolizando a confusão que todo culpado experimenta em presença de
quem foi por ele ofendido.

4.- Qual, então, a falta tão grande que mereceu acarretar a reprovação perpétua de todos os descendentes daquele que
a cometeu? Caim, o fratricida, não foi tratado tão severamente. Nenhum teólogo a pode definir logicamente, porque todos, apegados à letra, giram dentro de um circulo vicioso. Sabemos, hoje, que essa falta não é um ato isolado, pessoal, de
um indivíduo, mas que compreende, sob um único fato alegórico, o conjunto das prevaricações de que a Humanidade da
Terra, ainda imperfeita, pode tornar-se culpada e que se resume na infração à lei de Deus. Eis por que a falta do primeiro
homem, simbolizando este a Humanidade, tem por símbolo um ato de desobediência.

5.- Dizendo a Adão que ele tiraria da terra a alimentação com o suor de seu rosto, Deus simboliza a obrigação do trabalho.
Mas, por que fez do trabalho uma punição? Que seria da inteligência do homem, se ele não a desenvolvesse pelo
trabalho? Que seria da Terra, se não fosse fecundada, transformada, saneada pelo trabalho inteligente do homem? Lá
está dito (Gênesis, cap. II, 5 e 7): "O Senhor Deus ainda não havia feito chover sobre a Terra e não havia nela homens
que a cultivassem. O Senhor formou então, do limo da terra, o homem."

6.- Essas palavras, aproximadas destas outras: "enchei a Terra", provam que o homem, desde a sua origem, estava
destinado a ocupar toda a Terra e a cultivá-la, assim como que o paraíso não era um lugar circunscrito, a um canto do
globo. Se a cultura da terra houvesse de ser uma conseqüência da falta de Adão, seguir-se-ia que, se Adão não tivesse
pecado, a Terra permaneceria inculta e os desígnios de Deus não se teriam cumprido.

7.- Por que disse ele à mulher que, em conseqüência de haver cometido a falta, pariria com dor? Como pode a dor do
parto ser um castigo, quando é um efeito do organismo e quando está provado, fisiologicamente, que é uma necessidade?
Como pode ser punição uma coisa que se produz segundo as leis da Natureza? É o que os teólogos absolutamente
ainda não explicaram e que não poderão explicar, enquanto não abandonarem o ponto de vista em que se colocaram.
8.- Notemos, antes de tudo, que se, no momento de serem criados os dois, as almas de Adão e Eva tivessem vindo do
nada, como ainda se ensina, eles ignorariam o que é morrer. Estando sós na Terra, como estavam, enquanto viveram no
paraíso, não tinham assistido à morte de ninguém. Como, então, teriam podido compreender em que consistia a ameaça
de morte que Deus lhes fazia? Como teria Eva podido compreender que parir com dor seria uma punição, visto que, tendo acabado de nascer para a vida, ela jamais tivera filhos e era a única mulher existente no mundo? Nenhum sentido,
portanto, deviam ter, para Adão e Eva, as palavras de Deus.


QUESTÕES PARA ESTUDO

) Sabemos que a narrativa de Deus passeando pelo jardim é uma alegoria, pois o povo de então imaginava uma Divindade
com forma humana. Que ensinamento Moisés quis transmitir com essa alegoria?

b) Por que a falta cometida não pode ter sido o relacionamento sexual entre Adão e Eva, como sustentam os teólogos?

c) Para Kardec, qual é a falta simbolizada na gênese moisaica, que ensejou a queda de Adão e Eva?

d) Por que Kardec entende equivocada a passagem da gênese bíblica que dá o caráter de punição à obrigação de Adão
tirar da terra a alimentação com o suor de seu rosto?

e) Idem, com relação à punição de morte e a de Eva parir com dor?

 
Perda do paraíso - 2ª pte. (itens 18 a 21) - Conclusão Voltar ao estudo
 
C O N C L U S Ã O

As passagens que narram o passeio da Divindade pelo jardim e o pecado praticado por Adão e Eva são alegorias criadas por Moisés para transmitir ensinamentos ao povo daquela época, incapaz de conceber abstrações. Tudo haveria de ter relação com as coisas materiais para que fosse entendido. Adão e Eva simbolizam toda a humanidade terrena e a falta narrada no texto bíblico representa todo e qualquer descumprimento das Leis Naturais.

QUESTÕES PROPOSTAS PARA ESTUDO

a) Sabemos que a narrativa de Deus passeando pelo jardim é uma alegoria, pois o povo de então imaginava uma Divindade com forma humana. Que ensinamento Moisés quis transmitir com essa alegoria?

R - À falta de uma maior capacidade de entendimento daquele povo que governava, em relação às questões abstratas, Moisés criou a imagem narrada na passagem em questão. Para aquele povo, Deus haveria de ter uma forma humana, concreta. Moisés, então, criou a figura alegórica de Deus passeando pelo jardim, a vigiar, em pessoa, sua criação. Quis demonstrar que Ele está sempre presente em todos os momentos da criatura. Que é onipresente e onipotente; tudo sabe e tudo vê. É claro que não se trata de uma presença física, material, como alegoricamente foi narrado. Conforme Allan Kardec esclarece, no capítulo II desta obra, a presença de Deus em toda parte, tudo vendo, tudo presidindo e oferecendo às criaturas a sua solicitude, é a chamada Providência Divina. Por ela, Deus se faz presente até nos mais ínfimos atos e pensamentos de cada um. Esse o ensinamento transmitido na passagem em questão.

b) Por que a falta cometida não pode ter sido o relacionamento sexual entre Adão e Eva, como sustentam os teólogos?

R - Seria absurdo admitir-se que a falta cometida por Adão e Eva tenha sido comer um determinado fruto, conforme a interpretação literal desta passagem nos leva a concluir, pois seria punir com um rigor excessivo uma falta singela e pueril. Não se pode, igualmente, admitir que a falta tenha sido o relacionamento sexual entre ambos, como sustentam os teólogos. Se assim fosse, Deus estaria condenando sua própria obra à extinção, com a proibição da procriação. Ao contrário, a própria Gênesis afirma mais adiante que Deus os abençoou e lhes disse para crescerem e multiplicarem-se, estabelecendo a procriação como uma de suas Leis. Sendo a procriação uma determinação divina e esta somente se operando mediante o relacionamento sexual, não poderia jamais ter sido esta a causa da expulsão de ambos do chamado paraíso. Segundo Kardec, essa crença foi motivada pelo sentimento de vergonha que ambos manifestaram ante o olhar de Deus, o que os levou a se refugiarem, que é, também, uma linguagem figurada, simbolizando o sentimento que todo culpado experimenta ante a presença do ofendido.

c) Para Kardec, qual é a falta simbolizada na gênese mosaica, que ensejou a queda de Adão e Eva?

R - Moisés se utilizou, uma vez mais, da linguagem figurada, para transmitir o ensinamento de que o descumprimento dos desígnios de Deus, por mais simples e inocentes que possam parecer, acarretam ao infrator uma conseqüência negativa. A alegoria representada pela falta de Adão e Eva não traduz um ato isolado, pessoal, de um indivíduo. O ato de desobediência simboliza o conjunto das prevaricações de toda a Humanidade terrena, ainda hoje muito imperfeita.

d) Por que Kardec entende equivocada a passagem da gênese bíblica que dá o caráter de punição à obrigação de Adão tirar da terra a alimentação com o suor de seu rosto?

R - Dizendo a Adão que ele tiraria da terra a alimentação com o suor de seu rosto, Moisés simboliza a obrigação do trabalho.
Trata-se de um ensinamento que objetiva instruir a humanidade e não de uma penalidade imposta a um transgressor das leis divinas. Como esclarece Kardec, se a determinação ao trabalho fosse uma punição resultante da falta de Adão, teríamos que, se Adão não tivesse cometido o pecado, a Terra permaneceria inculta e os desígnios de Deus não se teriam cumprido, como ocorre com relação à procriação e à interpretação do pecado ter sido o relacionamento sexual.

e) Idem, com relação à punição de morte e a de Eva parir com dor?

R - Se Adão e Eva vieram do nada, como ensinam as teologias, certamente ignoravam o que é morrer, pois não haveriam passado ainda por essa experiência nem, sequer, a conheceriam através de terceiros, pois eram os únicos habitantes da Terra. Não poderiam, assim, compreender a ameaça divina, que se tornaria inócua. Quanto à ameaça de Eva parir com dor, do mesmo modo, não surtiria efeito, posto que, tendo acabado de nascer para a vida, jamais tivera filhos e, em consequência, não poderia compreender a ameaça. Além disso, como destaca Kardec, a dor do parto é um efeito natural do organismo físico e não uma punição instituída pelo Criador. Nenhum sentido, portanto, deviam ter, para Adão e Eva, as palavras de Deus.
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