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Encarnação dos espíritos - 1ª parte (itens 17 a 23) (Estudo 73 de 136)

       

1.- Pela sua essência espiritual, o espírito é um ser indefinido, abstrato, que não pode ter ação direta sobre a matéria.
Para isso, é-lhe indispensável um intermediário, que é o envoltório fluídico, o qual, de certo modo, faz parte integrante
dele. Esse envoltório é semimaterial, isto é, pertence à matéria, pela sua origem e ao mundo espiritual, pela sua
natureza etérea.

2.- Como toda matéria, esse envoltório é extraído do fluido cósmico universal que, nessa circunstância, sofre uma
modificação especial. Denominado perispírito, faz de um ser abstrato - o espírito - um ser concreto, definido, apreensível
pelo pensamento. Torna-o apto a atuar sobre a matéria tangível, conforme se dá com todos os fluidos imponderáveis,
que são, como se sabe, os mais poderosos motores.

3.- O fluido perispirítico constitui, pois, o traço de união entre o espírito e a matéria. Enquanto o espírito se acha unido
ao corpo, serve-lhe de veículo ao pensamento, para transmitir o movimento às diversas partes do organismo, que atuam
sob a impulsão da sua vontade, fazendo que repercutam no espírito as sensações que os agentes exteriores produzam.
Os nervos servem-lhe de fios condutores, como, no telégrafo, o fio metálico serve de condutor ao fluido elétrico .

4.- Quando o Espírito tem de encarnar num corpo humano em vias de formação, um laço fluídico, que mais não é do
que uma expansão do seu perispírito, o liga ao gérmen, que o atraí por uma força irresistível, desde o momento da
concepção. À medida que o gérmen se desenvolve, o laço se encurta. Sob a influência do princípio vital do gérmen, o
perispírito, que possui certas propriedades da matéria, se une, molécula a molécula, ao corpo em formação, donde
poder dizer-se que o espírito, por intermédio do seu perispírito, se enraíza, de certa maneira, nesse gérmen, como uma
planta na terra. Quando o gérmen chega ao seu pleno desenvolvimento, completa é a união. Nasce, então, o ser para
a vida exterior.

5.- Por um efeito contrário, a união do perispírito à matéria, que se efetuara sob a influência do princípio vital do gérmen,
cessa quando esse princípio deixa de atuar, em conseqüência da desorganização do corpo. Mantida que era por uma
força atuante, tal união se desfaz, logo que essa força deixa de atuar. Então, o perispírito se desprende, molécula a
molécula, em sentido contrário ao que se deu quando da união e ao espírito é restituída a liberdade. Não é a partida do
espírito que causa a morte do corpo: esta é que determina a partida do espírito.

6.- O Espiritismo, pelos fatos cuja observação faculta, dá a conhecer os fenômenos que acompanham essa separação,
que, às vezes, é rápida, fácil, suave e insensível, ao passo que doutras é lenta, laboriosa, horrivelmente penosa,
conforme o estado moral do espírito, podendo durar meses inteiros.

7.- Desde que o espírito é apanhado no laço fluídico que o prende ao gérmen, entra em estado de perturbação, que
aumenta, à medida que o laço se aperta, perdendo, nos últimos momentos, toda a consciência de si próprio, de modo
a jamais presenciar o seu nascimento. Quando a criança respira, começa o espírito a recobrar as suas faculdades, que
se desenvolvem à proporção que se formam e se consolidam os órgãos que lhes hão de servir às manifestações.

8.- Ao mesmo tempo em que o espírito recobra a consciência de si mesmo, perde a lembrança do seu passado, sem
perder as faculdades, as qualidades e as aptidões anteriormente adquiridas. Estas, que ficaram temporariamente
latentes, voltam à atividade. Ele renasce qual se fizera pelo seu trabalho anterior. O seu renascimento é um novo ponto
de partida, um novo degrau a subir. A bondade do Criador aí se manifesta, porquanto os amargores de uma nova
existência, somados à lembrança de um passado muitas das vezes aflitivo e humilhante, poderia lhe criar embaraço.
Lembra do que aprendeu, por lhe ser isso útil e, às vezes lhe é dado ter uma intuição dos acontecimentos passados,
como a lembrança de um sonho fugitivo. É, pois, novo homem, por mais antigo que seja como espírito. Adota novos
processos, auxiliado pelas suas aquisições precedentes. Quando retorna à vida espiritual, seu passado se lhe desdobra
diante dos olhos e ele julga de como empregou o tempo, se bem ou mal.

9.- Não há, portanto, solução de continuidade na vida espiritual. Cada espírito é sempre o mesmo eu, antes, durante e
depois da encarnação, sendo esta, apenas, uma fase da sua existência. O próprio esquecimento se dá tão-só no curso
da vida exterior de relação. Durante o sono, desprendido, em parte, dos liames carnais, o espírito se lembra, pois, então,
não tem a visão tão obscurecida pela matéria.

10.- Perguntar-se-á se entre os mais atrasados selvagens é que se encontra o ponto inicial da alma humana. Na opinião
de alguns filósofos espiritualistas, o princípio inteligente se individualiza e se elabora passando pelos diversos graus da
animalidade. É aí que a alma se ensaia para a vida e desenvolve, pelo exercício, suas primeiras faculdades. Esse seria
para ela, por assim dizer, o período de incubação. Chegada ao grau de desenvolvimento que esse estado comporta, ela
recebe as faculdades especiais que constituem a alma humana.

11.- Este sistema, fundado na grande lei de unidade que preside à criação, corresponde à justiça e à bondade do
Criador, dando um destino aos animais, que deixam de formar uma categoria de seres deserdados para terem, no futuro,
uma compensação a seus sofrimentos. O que constitui o homem espiritual não é a sua origem: são os atributos
especiais de que ele se apresenta dotado ao entrar na humanidade, que o transformam, tornando-o um ser distinto. Por
haver passado pela fieira da animalidade, o homem não deixaria de ser homem; já não seria animal, como o fruto não é
a raiz e como o sábio não é o feto informe que o pôs no mundo.


QUESTÕES PARA ESTUDO


a) Qual a função do perispírito durante o processo de encarnação do espírito e durante a vida corporal?

b) Como se dá a encarnação do espírito?

c) E a sua desencarnação?

d) Qual a conseqüência da encarnação com relação ao passado do espírito e às conquistas já efetuadas?

e) A encarnação num corpo humano é a primeira na vida do princípio espiritual?

 
Encarnação dos espíritos - 1ª parte (itens 17 a 23) - Conclusão Voltar ao estudo
 
a) Qual a função do perispírito durante o processo de encarnação do espírito e durante a vida corporal?

R - Por ser de natureza diferente da matéria referente ao mundo corpóreo, o espírito não pode atuar diretamente sobre ela, pelo que necessita de um intermediário. Este elemneto intermediário é o perispírito, envoltório fluídico, semimaterial, que pertence à matéria, pela sua origem, pois derivado do fluido cósmico universal e ao mundo espiritual, pela sua natureza etérea. No processo encarnatório, funciona como elemento de ligação entre o espírito e o novo corpo, ao qual lhe serve de modelo organizador. Durante a vida corporal, serve de veículo ao pensamento, transmitindo às diversas partes do organismo o comando emanado do espírito, impulsionando a sua vontade. Kardec compara o fluido perispirítico ao fio metálico, que serve de condutor ao fluido elétrico.

b) Como se dá a encarnação do espírito?

R - Ao chegar o momento da encarnação, um laço fluídico, expansão do perispírito, liga o espírito ao gérmem do novo corpo, originado da concepção, que o atrai por uma força irresistível. À medida que esse gérmen se desenvolve, o laço fluídico que o liga ao espírito se encurta e vai se tornando cada vez mais apertado. Sob a influência do princípio vital, o perispírito vai se unindo ao corpo em formação, molécula a molécula. O espírito, então, enraíza-se nesse gérmen como uma planta na terra, conforme imagem criada por Kardec. Quando o gérmen chega ao seu pleno desenvolvimento, a união se completa e o novo ser nasce para a vida exterior.
c) E a sua desencarnação?

R - A desencarnação do espírito dá-se por efeito contrário, ou seja, o princípio vital que o prende ao corpo físico deixa de atuar, em conseqüência da desorganização do corpo e o perispírito vai se desprendendo, molécula a molécula, em sentido inverso ao que ocorrera durante a encarnação. O espírito, então, ganha a liberdade para a vida espiritual. Essa separação, conforme comprova o Espiritismo, através de observações, pode se dar de maneira rápida, suave e insensível ou de modo lento, laborioso e penoso, podendo durar meses ou anos, conforme sejam as conquistas morais do espírito. Assim, não é o desprendimento do espírito que causa a morte do corpo, mas, sim, esta é que determina a partida do espírito. Kardec destaca, ainda, que a sobrevivência do espírito à morte do corpo comprova que são distintos o princípio vital e o princípio espiritual.

d) Qual a conseqüência da encarnação com relação ao passado do espírito e às conquistas já efetuadas?

R - Desde o instante em que um laço fluídico o prende ao gérmen do corpo em formação, o espírito entra em estado de perturbação, que vai aumentando, à medida que o novo corpo se desenvolve e o laço se aperta. Nos últimos momentos do processo reencarnatório, o espírito perde toda a consciência de si próprio, jamais presenciando o seu nascimento, começando a recobrá-la no momento do nascimento para a vida exterior. Do mesmo modo, todas as suas faculdades começam a ser recobradas e desenvolvidas à proporção que se formam e se consolidam os órgãos através dos quais se manifestarão. Ao mesmo tempo, o espírito perde a lembrança do seu passado, sem perder as conquistas já efetuadas e que haviam ficado temporariamente em estado de latência. O seu renascimento é um novo ponto de partida, recomeçando o espírito do ponto em que parou na existência anterior. As aquisições precedentes são retomadas em forma de intuição, por lhe serem úteis na nova experiência. Quanto às amarguras das existências anteriores, a misericórdia do Criador o faz esquecê-las, pois, certamente, essas lembranças lhes trariam embaraços e dificultariam a retomada da caminhada. Quando retorna à vida espiritual, após a desencarnação, pouco a pouco, seu passado se lhe desdobra diante dos olhos e ele julga de como empregou o tempo, se bem ou mal.

Vê-se, portanto, que não há solução de continuidade na vida espiritual. O espírito é sempre o mesmo, antes, durante e depois da reencarnação. O próprio esquecimento do passado se dá tão-só no curso da vida exterior de relação, pois, durante o sono, desprendido, parcial e temporariamente, do corpo físico, o espírito goza a liberdade da vida espiritual, lembrando-se do passado, pois que, então, já não tem a visão tão obscurecida pela matéria.

e) A encarnação num corpo humano é a primeira na vida do princípio espiritual?

R - Conforme vimos no estudo do capítulo referente à gênese orgânica, o princípio inteligente se individualiza e elabora, pouco a pouco, passando pelos diversos graus dos reinos inferiores, ensaiando-se para a vida. Chegado ao grau de desenvolvimento que esse estado comporta, recebe as faculdades especiais que o tornam espírito, habilitando-o a habitar corpos humanos. Este sistema é o mais condizente com os atributos de justiça e bondade do Criador, pois dá destino aos animais, que deixam de formar uma categoria de seres destinados a serem definitivamente inferiores, para terem, no futuro, uma compensação a seus sofrimentos.
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