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Gênese orgânica - O homem corpóreo (itens 26 e 30) (Estudo 68 de 136)

       

O homem corpóreo

26. - Do ponto de vista corpóreo e puramente anatômico, o homem pertence à classe dos mamíferos, dos quais unicamente difere por alguns matizes na forma exterior. Quanto ao mais, a mesma composição de todos os animais, os mesmos órgãos, as mesmas funções e os mesmos modos de nutrição, de respiração, de secreção, de reprodução. Ele nasce, vive e morre nas mesmas condições e, quando morre, seu corpo se decompõe, como tudo o que vive. Não há, em seu sangue, na sua carne, em seus ossos, um átomo diferente dos que se encontram no corpo dos animais. Como estes, ao morrer, restitui à terra o oxigênio, o hidrogênio, o azoto e o carbono que se haviam combinado para formá-lo; e esses elementos, por meio de novas combinações,
vão formar outros corpos minerais, vegetais e animais. É tão grande a analogia que se estudam as suas funções orgânicas em certos animais, quando as experiências não podem ser feitas nele próprio.
27. - Na classe dos mamíferos, o homem pertence à ordem dos bímanos. Logo abaixo dele vêm os quadrúmanos (animais de quatro mãos) ou macacos, alguns dos quais, como o orangotango, o chimpanzé, o jocó, têm certos ademanes do homem, a tal ponto que, por muito tempo, foram denominados: homens das florestas. Como o homem, esses macacos caminham eretos, usam cajados, constroem choças e levam à boca, com a mão, os alimentos: sinais característicos.
28. - Por pouco que se observe a escala dos seres vivos, do ponto de vista do organismo, é-se forçado a reconhecer que, desde o líquen até a árvore e desde o zoófito até o homem, há uma cadeia que se eleva gradativamente, sem solução de continuidade e cujos anéis todos têm um ponto de contacto com o anel precedente. Acompanhando-se passo a passo a série dos seres, dir-se-ia que cada espécie é um aperfeiçoamento, uma transformação da espécie imediatamente inferior. Visto que são idênticas às dos outros corpos as condições do corpo do homem, química e constitucionalmente; visto que ele nasce, vive e morre da mesma maneira, também nas mesmas condições que os outros se há de ele ter formado.
29. - Ainda que isso lhe fira o orgulho, tem o homem que se resignar a não ver no seu corpo material mais do que o último anel da animalidade na Terra. Aí está o inexorável argumento dos fatos, contra o qual seria inútil protestar.

Nota - O raciocínio apresentado pelo Codificador ao longo dos itens 28 e 29, constitui-se em um dos aspectos mais relevantes
da Teoria da Evolução das Espécies pela Seleção Natural, de Charles Darwin.

As pesquisas mais recentes no campo da genética, estreitam mais ainda esses laços ao constatar que todos os seres vivos estão
mais ou menos relacionados através do código genético, ou seja, desde o vírus até o homem, todos temos genes em comum, que
foram desenvolvidos por ancestrais comuns a todos, em um passado muito remoto. (Nota de autoria de Cláudio Lirange Zanatta,
extraída da edição de A Gênese, publicada pela Editora CELD).

Apresentamos uma tabela de indivíduos de diferentes espécies e a respectiva porcentagem de similaridade do seu código genético
com o de um homem moderno:

Indivíduo % de sobreposição com um homem moderno
Bactéria intestinal 15,00
Fermento 30,00
Minhoca 40,00
Rato 75,00
Vaca 90,00
Chimpanzé 98,40
Outro ser humano 99,90
Parente deste ser humano 99,95

Todavia, quanto mais o corpo diminui de valor aos seus olhos, tanto mais cresce de importância o princípio espiritual. Se o primeiro o nivela ao bruto, o segundo o eleva a incomensurável altura. Vemos o limite extremo do animal: não vemos o limite a que chegará o espírito do homem.
30. - O materialismo pode por aí ver que o Espiritismo, longe de temer as descobertas da Ciência e o seu positivismo, lhe vai ao encontro e os provoca, por possuir a certeza de que o princípio espiritual, que tem existência própria, em nada pode com elas sofrer.
O Espiritismo marcha ao lado do materialismo, no campo da matéria; admite tudo o que o segundo admite; mas, avança para além do ponto onde este último pára. O Espiritismo e o materialismo são como dois viajantes que caminham juntos, partindo de um mesmo ponto; chegados a certa distância, diz um: «Não posso ir mais longe.» O outro prossegue e descobre um novo mundo. Por que, então, há de o primeiro dizer que o segundo é louco, somente porque, entrevendo novos horizontes, se decide a transpor os limites onde ao outro convém deter-se? Também Cristóvão Colombo não foi tachado de louco, porque acreditava na existência de um mundo, para lá do oceano? Quantos a História não conta desses loucos sublimes, que hão feito que a Humanidade avançasse e aos quais se tecem coroas, depois de se lhes haver atirado lama?
Pois bem! o Espiritismo, a loucura do século dezenove, segundo os que se obstinam em permanecer na margem terrena, nos patenteia todo um mundo, mundo bem mais importante para o homem, do que a América, porquanto nem todos os homens vão à América, ao passo que todos, sem exceção de nenhum, vão ao dos Espíritos, fazendo incessantes travessias de um para o outro.

Galgado o ponto em que nos achamos com relação à Gênese, o materialismo se detém, enquanto o Espiritismo prossegue em suas pesquisas no domínio da Gênese espiritual.

QUESTÕES PARA ESTUDO

a) Qual a semelhança entre o corpo físico do homem e do animal?

b) Como podemos interpretar a afirmação de Kardec, no sentido de que "o homem é o último anel da animalidade na Terra"?

c) Em que o Espiritismo se difere do materialismo, quanto à explicação da gênese?

 
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C O N C L U S Ã O

Do ponto de vista unicamente material, o homem possui a mesma composição de todos os animais. Nele são os mesmos os órgãos, com as mesmas funções específicas e mesmas são as condições de nutrição, respiração, secreção e reprodução. Como todos os animais, ele nasce, vive e morre. Seu corpo se decompõe e se transforma, pelas leis e forças universais que regem a matéria, em novos corpos minerais, vegetais e animais. É o resultado final de uma cadeia que se inicia no mineral e passa pelo vegetal, cujo objetivo é a evolução do princípio espiritual.

QUESTÕES PROPOSTAS PARA ESTUDO

a) Qual a semelhança entre o corpo físico do homem e do animal?

R - O corpo físico do homem difere dos corpos dos animais apenas no aspecto formal. Do ponto de vista de sua constituição material, ambos são constituídos pelos mesmos elementos. Segundo explicação Kardec, hoje corroborada pela ciência, não há em seu corpo um único átomo diferente do que é encontrado nos corpos dos animais. A matéria é a mesma, sujeita ao mesmo processo de nascimento, vida, morte e transformação. Ao perder a vitalidade, assim como ocorre com os animais, seus elementos constitutivos são devolvidos à natureza, indo gerar novos corpos minerais, vegetais e animais, por meio de novas combinações.

b) Como podemos interpretar a afirmação de Kardec, no sentido de que "o homem é o último anel da animalidade na Terra"?

R - Os seres orgânicos constituem-se de corpos que estão submetidos a uma cadeia evolutiva que se eleva pouco a pouco, progredindo lenta e ininterruptamente. Assim, cada espécie é um aperfeiçoamento resultante da transformação da que está imediatamente abaixo. Do ponto de vista material, sendo constituído dos mesmos elementos que compõem os corpos dos animais, o homem é parte integrante dessa cadeia evolutiva, constituindo-se o ponto culminante de todo esse processo, no que se refere à vida na Terra. Por essa razão, Kardec afirma que "o homem é o último anel da animalidade na Terra", que define bem toda a trajetória que o princípio inteligente pode cumprir no planeta, no que diz respeito à matéria.

c) Em que o Espiritismo se difere do materialismo, quanto à explicação da gênese?

Diferente das ciências materialistas, o Espiritismo, quando pesquisa sobre o surgimento do homem na Terra, não se limita à matéria orgânica. As ciências materialistas consideram o homem apenas no seu aspecto material, limitando suas pesquisas à matéria orgânica. O Espiritismo demonstra que, além da matéria, há no homem um princípio espiritual, imaterial para os nossos sentidos, que tem vida própria e que é indestrutível. Enquanto as ciências terrenas se satisfazem com a explicação da gênese orgânica, pesquisando sobre o surgimento do homem tão somente no tocante ao seu corpo físico, o Espiritismo não as contesta, porém, vai além, prosseguindo a pesquisa para entender a criação e a evolução desse princípio espiritual. Vai, inclusive, além da gênese mosaica, que também se limitou ao aspecto material.
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