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Origem do bem e do mal - 2a. parte (itnes 7 a 10) (Estudo 20 de 136)

       

1.- Sendo Deus todo bondade, colocou o remédio ao lado do mal, fazendo com que do próprio mal saia o remédio
para curá-lo. Quando o excesso do mal moral se torna intolerável, impõe ao homem a necessidade de mudar,
compelindo-o a procurar no bem o remédio, usando o seu livre-arbítrio. A necessidade o constrange a melhorar-se
moralmente, para ser mais feliz.

2.- O mal é a ausência do bem, como o frio é a ausência do calor. Assim como o frio não é um fluido especial,
também o mal não é atributo distinto; um é o negativo do outro. Onde não existe o bem, forçosamente existe o
mal. Não praticar o mal, já é um princípio do bem.

3.- Querendo Deus somente o bem e não havendo na criação um ser preposto ao mal, tem o homem a causa do
mal em si mesmo. O homem, porém, evitá-lo-ia se cumprisse as leis divinas. Exemplo: Deus pôs limite à
satisfação das necessidades; se o homem o ultrapassa, fá-lo voluntariamente. As doenças ou a morte que daí
podem resultar provêm da sua imprevidência e não de Deus.

4.- Decorrendo o mal das imperfeições do homem, dir-se-à que, sendo o homem criação de Deus, Deus haverá
criado, se não o mal, a sua causa. Se houvesse criado o homem perfeito, o mal não existiria, pois o homem
penderia para o bem, dizem.

5.- Em virtude de seu livre-arbítrio, o homem não pende fatalmente para o bem nem para o mal. Deus o criou
sujeito à lei do progresso, que deve resultar de seu trabalho, a fim de que lhe pertença o seu fruto. Do mesmo
modo, cabe-lhe a responsabilidade pelo mal que pratique.

6.- Equivocado, pois, pretender-se que a alma haja saído perfeita das mãos do Criador. Deus quis que a perfeição
resultasse da depuração gradual do espírito e seja obra sua. Que o homem, usando seu livre-arbítrio, opte entre o
bem e o mal, chegando ao final da sua evolução resistindo ao mal.

7.- O espírito tem por destino a vida espiritual. Nas primeiras fases da sua existência corpórea, cumpre-lhe
somente satisfazer as exigências materiais e, para tal, o exercício das paixões constitui uma necessidade para a
conservação da espécie, materialmente falando.

8.- Saído desse período, outras necessidades se lhe apresentam, a princípio semi-morais e semi-materiais,
depois exclusivamente morais. É então que o espírito exerce domínio sobre a matéria, sacode-lhe o jugo, avança
pela senda providencial que se lhe acha traçada e se aproxima do seu destino final.

9.- Se, ao contrário, ele se deixa dominar pela matéria, atrasa-se e se identifica com o bruto. Nessa situação, o
que era outrora um bem, porque era uma necessidade da sua natureza, transforma-se num mal, não só porque
já não constitui uma necessidade, como porque se torna prejudicial à espiritualização do ser. Muita coisa, que é
qualidade na criança, torna-se defeito no adulto. O mal é, pois, relativo e a responsabilidade é proporcionada
ao grau de adiantamento.

10.- Como Deus não cria coisas inúteis, as paixões têm uma utilidade providencial; no abuso é que reside o mal,
o que o homem o faz usando seu livre-arbítrio. Esclarecido pelo seu próprio interesse, o homem livremente escolhe
entre o bem e o mal.


QUESTÕES PARA ESTUDO


a) Como pode o homem evitar a ocorrência do mal?

b) Por que Deus não criou o homem perfeito e com tendência apenas para o
bem?

c) Como podemos relacionar o bem e o mal com o grau de adiantamento da
humanidade?
 
Origem do bem e do mal - 2a. parte (itnes 7 a 10) - Conclusão Voltar ao estudo
 
O N C L U S Ã O

A origem do bem é Deus; a do mal, é o homem. O bem se origina das leis divinas, todas perfeitas e com os preceitos necessários para o homem viver. O seu cumprimento gera o bem. O mal tem a sua origem nos vícios e paixões humanas,
cujas raízes se encontram no instinto de conservação, fortemente presente nos animais e nos seres primitivos, mas que vai se enfraquecendo à medida que a inteligência se desenvolve e domina a matéria. O mal é, pois, temporário e relativo. Sua responsabilidade é proporcional ao grau de adiantamento do homem. Deus pôs o remédio ao lado do mal, fazendo com que do próprio mal saia o remédio para a sua cura. O excesso do mal moral, quando se torna intolerável, impõe ao homem a necessidade de melhorar-se. É essa necessidade que o constrange a procurar o bem, usando de seu livre-arbítrio, como maneira de melhorar as condições materiais de sua existência.



QUESTÕES PROPOSTAS PARA ESTUDO

a) Como pode o homem evitar a ocorrência do mal?

R - O mal deve ser combatido com o bom uso do livre-arbítrio de que o homem é dotado e com o cumprimento das leis divinas. Deus estabeleceu as leis que regem a Natureza e que são suficientes para o homem viver em consonância com o bem. Se as desrespeita, o homem o faz voluntariamente, utilizando-se do seu livre-arbítrio e, com isso, pratica o mal. Daí provêm a maioria das doenças e até a morte, frutos da imprevidência do homem.

b) Por que Deus não criou o homem perfeito e com tendência apenas para o bem?

R - Do mesmo modo que cabe ao homem a responsabilidade pelo mal que pratica, quis Deus que ele ficasse sujeito à lei do progresso e que o progresso resulte do seu trabalho, para melhor saber valorizá-lo. Da mesma maneira que lhe cabe a responsabilidade pelo mal que por sua vontade pratique, pertence ao homem o mérito pelos frutos que resulte da prática do bem. Por isso Deus o dotou de livre-arbítrio, para que possa optar entre o bem e o mal, sendo o único responsável pela conseqüência de seus atos. Se o houvesse criado perfeito, nenhum mérito teria o homem para gozar os benefícios desta perfeição.

c) Como podemos relacionar o bem e o mal com o grau de adiantamento da humanidade?

R - O bem e o mal guardam relação com o grau de adiantamento da humanidade. Nas primeiras encarnações na fase hominal, o espírito é mais dependente dos valores materiais, cujas necessidades para a sua sobrevivência lhe cumpre satisfazer. A vida moral ainda se inicia e o espírito vive unicamente em função da matéria. No entanto, à medida que se adianta, seu senso moral aumenta e suas necessidades vão se modificando. De início, são semimorais e semimateriais, até se tornarem exclusivamente morais, quando atingir a perfeição possível. Exerce, a partir daí, domínio sobre a matéria, dela não sendo mais dependente. E assim, o que outrora era um bem, face à sua dependência da matéria, torna-se um mal, por não mais ser uma necessidade, atrasando o processo de espiritualização do ser. O bem e o mal são, portanto, relativos à responsabilidade do espírito, que, por sua vez, é proporcional ao seu grau de adiantamento. Como exemplifica Kardec, muita coisa, que é qualidade na criança, torna- -se defeito no adulto.
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