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Caráter da revelação espírita (ítens 50 a 54) (Estudo 10 de 136)

       

1.- A terceira revelação é ao mesmo tempo produto de um ensino e fruto do trabalho,
da pesquisa e do livre exame. Veio numa época de emancipação e madureza intelectual
da humanidade, que já não aceitava às cegas o que se lhe apresentavam; ao contrário,
queria ver para onde a conduzem e saber o porquê e o como de cada coisa.

2.- Os Espíritos ensinam o que é necessário para guiar o homem no caminho da
verdade, mas não revelam o que ele pode por si mesmo descobrir. Deixam ao homem
o cuidado de discutir, verificar e submeter tudo à razão, fornecendo-lhe o princípio e os
materiais para aproveitá-los e pô-los em obra.

3.- A revelação espírita foi ministrada simultaneamente em muitos pontos, a homens
de condições sociais e graus de instrução diversos. Sendo assim, a conclusão sobre
que haviam de firmar-se as idéias não podiam sair senão do conjunto e da correlação
dos fatos. Caso contrário, cada qual se teria imobilizado na sua revelação parcial,
julgando possuir toda a verdade e ignorando que em cem outros lugares se obtinha
mais ou melhor.

4.- Tendo o ensino que ser coletivo e não individual, os Espíritos dividiram o trabalho,
disseminando os assuntos de estudo e observação como, em algumas fábricas, a
confecção de cada parte de um mesmo objeto é repartida por diversos operários. Assim,
a revelação fez-se parcialmente em diversos lugares e por uma multidão de
intermediários. É dessa maneira que prossegue ainda, pois que nem tudo foi revelado.

5.- Vindo as comunicações de Espíritos de todas as ordens, era preciso apreciar o grau
de confiança que a razão permitia conceder-lhes, distinguindo as idéias isoladas das que
tinham a sanção do ensino geral dos Espíritos e afastar as que eram notoriamente
contrariadas pela Ciência e pela lógica. Em suma, era preciso um centro de elaboração,
independente de qualquer idéia preconcebida, sem vinculação com seitas e com o compromisso de aceitar a verdade, embora contrária às opiniões pessoais.

6.- A publicação do Livro dos Espíritos foi o resultado da convergência dos trabalhos
individuais, fazendo nascer o caráter filosófico do Espiritismo, até então limitado às
experiências curiosas. A sua aceitação exprimiu os sentimentos da maioria e a sua
expectativa por uma explicação racional do que cada um obtinha em particular. Estando
de acordo com o ensino geral dos Espíritos, o seu ponto de convergência não foi o homem,
mas a idéia, que não morre quando emana de uma fonte superior.

7.- Como toda ciência, a Doutrina Espírita não é fruto do cérebro de um homem, mas de
observações sucessivas baseadas nas observações precedentes. Os Espíritos partiram
de um ponto conhecido para chegar ao desconhecido, daí ser gradativo o seu ensino.
Quando chega o momento oportuno, o ensino se generaliza e se unifica.

8.- Todavia, ao contrário das ciências, o Espiritismo em pouco anos conseguiu obter uma
grande soma de observações suficiente para formar uma doutrina. Isso por ser inumerável
a multidão de Espíritos que, por vontade de Deus, se manifestaram trazendo seus conhecimentos, possibilitando que todas as partes da doutrina fossem elaboradas simultaneamente. Por essa razão, bastou alguns anos para que se estruturasse um todo.

9.- Essa foi a vontade de Deus, para que mais rapidamente a doutrina fosse elaborada e
para que pudesse, pelo método comparativo, se verificar a universalidade do ensino.
Nenhuma de suas partes tem valor nem autoridade senão pela sua conexão com o
conjunto, devendo todas se harmonizarem e virem cada uma na hora oportuna.

10.- Não confiou Deus a um único Espírito o encargo de promulgar a doutrina, permitindo
ao menor e ao maior, tanto entre os Espíritos como entre os homens, trazer a sua
colaboração e estabelecer um laço de solidariedade cooperativa entre eles, que faltou às
doutrinas originadas de um tronco único.

11.- Como todo Espírito e todo homem dispõe de limitada soma de conhecimentos, nenhum
estava habilitado a tratar isoladamente das inúmeras questões que o Espiritismo envolve.
Daí por que a doutrina não poderia ser obra de um único Espírito nem de um único médium.
Tinha que emergir da coletividade dos trabalhos, sujeitos sempre aos métodos da
experimentação e da comparação utilizados por Kardec.


QUESTÕES PARA ESTUDO:

a) Por que Kardec afirma que o Espiritismo veio na época certa?

b) Qual a contribuição de Kardec para o advento da terceira revelação?

c) Além de possibilitar a rápida propagação da doutrina, qual o outro motivo de ser o seu
surgimento simultâneo em várias partes do globo?

d) Quais os critérios adotados por Kardec para a aceitação dos ensinamentos que recebia
através dos diversos médiuns?

e) Por que a elaboração da doutrina foi confiada a uma coletividade de Espíritos e não a
um só?




 
Caráter da revelação espírita (ítens 50 a 54) - Conclusão Voltar ao estudo
 
CONCLUSÃO

A terceira revelação é resultado do pensamento coletivo de uma falange de Espíritos
Superiores e codificada por Allan Kardec. Como os ensinamentos chegavam ao mesmo
tempo em várias partes do mundo, provenientes de vários Espíritos e por intermédio de
diversos médiuns, era necessário um núcleo centralizador, que os examinassem e
os submetessem aos critérios da razão e da ciência.

Quis Deus que a doutrina fosso fruto de um ensinamento coletivo para que não se
restringisse ao conhecimento individual de um único Espírito, por mais sábio e evoluído
que fosse, pois nenhum o teria suficiente para abordar tão diferentes assuntos.


QUESTÕES PROPOSTAS PARA ESTUDO:


a) Por que Kardec afirma que o Espiritismo veio na época certa?

A terceira revelação veio na época certa, porque num momento em que a humanidade
atingira uma certa emancipação e madureza intelectual. Veio num momento em que o
homem já não aceitava cegamente as coisas, mas procurava saber o porquê e o como
de cada coisa. Tinha ela que resultar, ao mesmo tempo, de um ensinamento e de um
trabalho de pesquisa, estudo e experimentação. Se viesse antes, não sobreviveria, pois
a humanidade ainda não estava preparada para recebê-la; se viesse depois, poderia já
ser tarde, pois as teorias materialistas e o positivistas avançavam.


b) Qual a contribuição de Kardec para o advento da terceira revelação?

Como a revelação foi coletiva, resultando do ensino de Espíritos de todas as ordens,
era preciso um poder moderador, que verificasse se os ensinamentos estavam conforme
a razão. Era necessário separar as idéias isoladas das que eram fruto do pensamento
universal dos Espíritos, afastando as que contraditavam a Ciência e a lógica. Esse
trabalho de centralização, análise e experimentação do que era trazido foi o papel
atribuído pela Espiritualidade Superior a Allan Kardec.

Allan Kardec foi o missionário designado para esse trabalho. Pela sua superioridade
espiritual, pôde desempenhar sua missão sem se deixar influenciar por suas opiniões
pessoais, por preconceitos de seita e tendo como compromisso único a verdade. Foi o
centro de elaboração da Doutrina, sem o qual não seria possível esta se tornar realidade.


c) Além de possibilitar a rápida propagação da doutrina, qual o outro motivo de ser o seu
surgimento simultâneo em várias partes do globo?

Surgindo simultaneamente em várias partes do Planeta, os adeptos da nova doutrina
não se viram isolados, o que ocorreria se ela fosse revelada num determinado ponto.
Espalhada pelo mundo, a revelação rapidamente se tornou forte e recebeu uma base de
apoio maior, seguindo seus seguidores com passo mais firme e lutando com mais
coragem, pois não se viram isolados.


d) Quais os critérios adotados por Kardec para a aceitação dos ensinamentos que
recebia através dos diversos médiuns?

Kardec utilizou-se, basicamente, do método comparativo, para verificar a universalidade
do ensinamento dos Espíritos. Se o conteúdo da mensagem não estivesse conforme o
que revelavam os demais Espíritos codificadores, era deixado de lado. Esse foi o principal
critério adotado pelo Codificador para elaborar o Livro dos Espíritos, obra mater da
Codificação. Assim procedeu para evitar que opiniões pessoais prevalecessem sobre o
pensamento da maioria, o que retiraria o caráter coletivo de seus ensinamentos.

Outros métodos utilizados por Allan Kardec foram de fundamental importância para que
a revelação viesse à luz com as características do Consolador prometido por Jesus, como a experimentação e a submissão das mensagens ao controle da razão e da ciência. Somente
um Espírito Superior, evoluído, seria talhado para exercer essa missão.


e) Por que a elaboração da doutrina foi confiada a uma coletividade de Espíritos e não a
um só?

Não confiou Deus a um único Espírito a missão de elaborar a doutrina para que vários
pudessem trazer a sua colaboração, além de permitir que ela fosse mais rapidamente
elaborada. Como todo Espírito e todo homem dispõem de limitada soma de
conhecimentos, nenhum estava habilitado a tratar isoladamente das inúmeras questões que o Espiritismo envolve. Sendo obra coletiva, estabeleceu-se entre todos um laço de
solidariedade cooperativa, cada um se ocupando de um assunto objeto da revelação.

Dessa maneira, a doutrina nasceu com a autoridade de ter sido elaborada por uma
coletividade de Espíritos Superiores, que expressaram seus pensamentos a médiuns
diversos, em várias partes do mundo e que foram comparados, experimentados e
submetidos a um trabalho de codificação que propiciasse um adequado estudo, o que
faltaram às doutrinas originadas de um tronco único.


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