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Tema: Família e Lar(2) - nossa conversa sobre 03 com texto (Estudo 174 de 835)

       

Lu, No meu caso sempre foram preservadas as conversas, minha mãe sempre se interessou em saber o que era importante para suas 3 filhas e fixar nesses pontos uma discussão saudável, para achar soluções e até mesmo problemas que pudessem enriquecer a nossa educação, de vez em quando íamos fazer programas de lazer juntos, minha mãe sempre estava presente nos acontecimentos e fenômenos da natureza, tais como primeiro namorado, frustrações profissionais, pessoais e etc. Acredito que a base da minha família, que inclusive vem sendo até hoje é o diálogo, a comunicação, a humildade de pedir perdão, e a paciência uns para com os outros para aprender a compreender os jeitos e manias que cada pessoa tem.
Pelo menos até hoje tem dado certo! Minha infância inteira minha mãe trabalhou, mas acho que a partir do momento que eu tive idade suficiente para compreender que era necessário e que para sobrevivermos ela precisava se ausentar estas horas ficou fácil, pois esperávamos ansiosamente a chegada dela, que sempre nos fazia surpresas, ensinava músicas...Além disso sempre tínhamos ocupações com tarefas como o inglês, ballet, sapateado, jazz, catecismo e etc... O importante foi nós nunca estarmos ociosas para dar espaço a ocupações não aproveitáveis e dar oportunidade para o desvio de benfeitorias. Na teoria vcs vão dizer, é tudo muito simples, mas a verdade é que nada que é importante é fácil, requer trabalho, paciência preserverância e muita dedicação..no final sabemos que vale a pena!

bjs fraternos,

Helga
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Sabemos que a ausência dos pais nos tempos de hoje devido ao trabalho que se tornou fundamental até para as mulheres por questões financeiras. Sendo assim muito importante a presença dos pais no ambiente doméstico. Mas também sabemos que há muitos pais que mesmo presentes são ausentes de amor, de carinho, de afeto, de dedicação, etc. E com isso dispor de tempo é apenas o começo (a ponta do iceberg).
E quanto aos pais ausentes que queriam estar participando da educação dos filhos mas não podem, devem eles buscar um tempo não só para os filhos mas para toda a família que não necessita só de dinheiro para crescer, mas de amor e muito mais, para reforçar os pilares da felicidade.
Portanto respondendo a pergunta da Lu, dependerá sim da qualidade da presença.
É tão bom reunir as famílias, nosso filhos, nossos sobrinhos, nossos irmãos, nossos pais, é algo que não tem preço, pois é no seio da família que está a nossa verdadeira felicidade.


Abraços capixabas e recheados de humildade e paz,
Márcio.
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Segue abaixo um texto que saiu no O Reformador que foi copiado da revista Veja. Achei muito interessante por ser um texto real. E mostra a realidade dos executivos no Brasil.


FAMÍLIA EM PRIMEIRO LUGAR
STEPHEN KANITZ

Há vinte anos presenciei uma cena que modificou radicalmente minha vida. Foi num almoço com um empresário respeitado e bem mais velho que eu. Ele era um dos poucos engajados no social, embora fosse pessoalmente um workaholic.
O encontro foi na própria empresa, ele não tinha tempo para almoçar com a família em casa nem com os amigos num restaurante. Os amigos tinham de ir até ele.
Seus olhos estavam estranhos, achei até que vi uma lágrima no olho esquerdo. Bobagem minha, pensei, homens não choram, especialmente na frente de outros. Mas durante a sobremesa ele começou a chorar copiosamente. Fiquei imaginando o que eu poderia ter dito de errado. Supus que ele tivesse se lembrado dos impostos pagos no dia, impostos que ele sabia nunca seriam usados para o social.
_Minha filha vai se casar amanhã_, disse sem jeito, _e só agora a ficha caiu. Eu fui um tremendo de um workaholic e agora percebo que mal a conheci. Conheço tudo sobre meu negócio, mal conheço minha própria filha. Dediquei todo o tempo a minha empresa e me esqueci de me dedicar à família._
Voltei para casa arrasado. Por meses eu me lembrava dessa cena patética e sonhava com ela. Prometi a mim mesmo e a minha esposa que nunca aceitaria seguir uma carreira assim.
Colocar a família em primeiro lugar não é uma proposição ética tão óbvia, trivial nem tão aceita por aí. Basta entrar na internet e você encontrará milhares de artigos que lhe dirão para colocar em primeiro lugar os outros a sociedade, os amigos, o dever, o trabalho, o cliente, raramente a família.
Normalmente, a grande discussão é como conciliar o conflito entre trabalho e família, e a saída salomônica é afirmar que dá para fazer ambos. Será?
O cinema americano vive mostrando o clichê do executivo atarefado que não consegue chegar a tempo à peça de teatro da filha ou ao campeonato mirim de seu filho.
Ele se atrasou justamente porque tentou _conciliar_ trabalho e família.. Só que surgiu um imprevisto de última hora, e a cena termina com o pai contando uma mentira ou dando uma desculpa esfarrapada.
Se tivesse colocado a família em primeiro lugar, esse executivo teria chegado a tempo, teria levado pessoalmente a criança ao evento, teria dado a ela o suporte psicológico necessário nos momentos de angústia que antecedem um teatro ou um jogo.
A questão é justamente essa. Se você, como eu e a grande maioria das pessoas, tem de _conciliar_ família com amigos, trabalho, carreira ou política, é imprescindível determinar, muito antes das inevitáveis crises, quem você prioriza e coloca em primeiro lugar. Você não terá de tomar difíceis decisões de lealdade na última hora, pois a opção já terá sido previamente discutida e emocionalmente internalizada.
Na época pensava deixar de ser professor da USP, apesar do ambiente tranqüilo e dos três meses de férias que a carreira proporcionava. Mas aquele almoço me fez ficar, para desespero de meus alunos.
Colocar a família em primeiro lugar tem um custo com o qual nem todos podem arcar.
Implica menos dinheiro, fama e projeção social. Muitos de seus amigos poderão ficar ricos, mais famosos que você e um dia olhá-lo com desdém. Nessas horas, o consolo é lembrar um velho ditado que define bem por que priorizar a família vale a pena: _Nenhum sucesso na vida compensa um fracasso no lar_.
Qual o verdadeiro _sucesso_ de ter um filho drogado por falta de atenção, carinho
e tempo para ouvi-lo no dia-a-dia? De que adianta fazer uma fortuna para ter de dividi-la pela metade num ruinoso divórcio e pagar pensão à ex-esposa para o resto da vida?
De que adianta ser um executivo bem-sucedido e depois chorar durante a sobremesa porque não conheceu sequer a própria filha?
Os leitores que ficaram indignados porque não tiro férias podem ficar tranqüilos.
Eu só não tiro férias aqui da VEJA, como a maioria dos colunistas.

Fonte: Revista VEJA, Seção Ponto de vista, de 20 de fevereiro, 2002.

Abraços capixabas e recheados de humildade e paz,
Márcio.

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Márcio,

Parabéns pela colocação deste texto, pois ele exprime grandes verdades.

Atualmente não tenho filhos, mas planejo tê-los e sempre lembro de uma
pergunta que me foi feita na faculdade "Você prefere ser uma profissional
bem sucedida ou ser mãe?" e naquela época eu não achava que havia alguma
relação com uma coisa e outra, só que hoje com meu ritmo de trabalho, vejo
que tem sim. Hoje sei também que no momento que decidir ser mãe, terei que
diminuir meu ritmo de trabalho, assim como meu esposo, pois trabalhando em
torno de 10 a 12 horas por dia, será quase impossível dedicarmos o restante
do nosso tempo a um filho com a qualidade que este merece e ainda cuidarmos
da casa e termos tempo para continuar nossos trabalhos na casa espírita. O
que isso implicará? Redução de dinheiro em casa, mas, como bem diz o texto,
"nenhum sucesso na vida compensa um fracasso no lar" e temos que lembrar
disso sempre.

Espero ter comtribuído com nossos estudos com minhas colocações!

Abraços a todos e fiquem com Deus!

Viviane

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Valeu, Marcio! Gostei das tuas considerações. Tem coisas que a gente até sabe, mas na turbulência das nossas preocupações, muitas vezes a gente esquece e fica sem saber o que fazer. Por isso sempre é bom ter "alguém" prá nos lembrar... Um abraço.
Ana
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Ois pessoais...
Que bom conversar com vocês.
Sobre o tema da semana, além das colocações que já fiz para o marcio e para a Helga, gostaria de comentar sobre a "qualidade da presença". Acho importante, tanto para os pais que trabalham quanto para aqueles, que como eu tem a tarefa de educar sozinhos os filhos, que desde bem cedo se desperte na criança o envolvimento com algumas atividades que a façam compreender a importância do trabalho e da instrução (escola, faculdade, etc). Assim, penso eu, a criança vai tomar com mais naturalidade a necessária ausência (temporária) dos pais, em vista do trabalho. Mas, por outro lado, é importante que os pais não descuidem dos necessaríssimos momentos de convivência, de carinho, de proximidade com os filhos, pois é aí que acontece a "educação", que é bem diferente da simples instrução (tarefa que delegamos à escola). Também acho importante envolver as crianças nas atividades dos pais. levá-las, vez ou outra para conhecer ou vizitar o ambiente de trabalho dos pais, conhecer os seus colegas, enfim, "socializar" a criança no contexto das atividades dos pais. Isso tudo, com certeza, não só ajudará a encarar tudo com naturalidade, como também despertará o interesse dos pequenos a seguirem os passos dos pais.

(...)

Beijos
Ana

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Oi Helga, também gostei das tuas colocações... servem de consolo prá quem tem que enfrentar uma situação parecida. Eu só tenho dúvidas, ainda, quanto aos motivos que levam uma família a desintegrar... quero dizer, as mágoas e as conseqüências que isso pode causar nos filhos. Como ensina-lhes amor, perdão, compaixão, etc., quando quem tem que conduzir este processo (a mãe sozinha, ou o pai sozinho) não tem condições de superar dentro de si a dor e possivelmente até o rancor... Eu sei que temos o dever de dar o melhor exemplo possível aos que devemos educar e para tanto temos o dever de nos equilibrarmos primeiro... é nesse sentido que estou procurando o máximo possível de idéias positivas.
Um abraço e muita paz
Ana
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Acho que o maior defeito de todos os pais que criam os filhos sem um companheiro é achar que estão sozinhos nesta jornada, nós espíritas sabemos que nós nunca estamos desemparados, que sempre estamos sendo vigiados, amparados e que nada pode nos ser dado sem que possamos suportar. Se lhe foi proposta esta missão devemos compreender que algo devemos para que aprendamos a superá-la. Talvez vc mesma tenha pedido que isso acontecece para que vc aprendesse a lidar com crianças que talvez em outras vidas vc as tenha desprezado. Isso são só suposições, mas a partir do momento que a fé e a esperança crescem em seu coração fica mais fácil, apoiando-se nas preces, errando e acertando, chorando e rindo, caindo e levantando. Todo esse sacrifício tem um propósito no qual eu digo e afirmo. VALE A PENA. A afinidade e o amor com o qual vc se dedica a alguém é sempre puro e recompensado mais tarde. Talvez vc esteja esquecendo que é melhor vc ter uma mãe ou pai com dificuldades porém com vontade, que todo dia tenta e tenta fazer com que o filho cresça com saúde, educaçào etc, ao contrário daqueles que desistem no meio do caminho, se deixam levar pela depressão, pela confusão e se perdem abandonando-os, O que pode isso fazer com a mente da criança, ser abandonado por aquele que mais confiava? Com certeza sérios danos serão causados. No final chego a conclusão de que sempre nos sacrificamos por algo. Todos nós sempre enfrentamos algo difícil, que para alguns isso se chama problema, mas que para outros isso se chama de oportunidade! Entende a diferença de encarar as coisas?

beijos fraternos,
Helga
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